Rain

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Sinopse:

“A Chuva são as lágrimas de Deus” é a analogia mais comum, ligar chuva à tristeza. Lay é um professor de literatura chinesa que relata um trágico escanda-lo entre seu colega de trabalho Luhan com um idol sul-coreano famoso.

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Música indicada: Rain – Ryuichi Sakamoto

Chuva… Algo tão clichê para simbolizar tristeza! Talvez, Sehun-dongsaeng fosse realmente importante como todos falavam. Eu particularmente não o conhecia muito bem, mas meu colega, mais que bem. Eles eram uma espécie de, como se chama mesmo? “Amigos coloridos”, ou algo do tipo. A paixão levou Oh Sehun à morte naquela tarde chuvosa. Não tenho vínculo algum aos fatos, como eu disse inicialmente, nem mesmo o conhecia bem. Contudo, meu colega Luhan me presenteou com a sua desgraça, ou melhor, a de Oh Sehun.

Chamo-me Zhang Yixing, tenho 30 anos e sou escritor. Na verdade, quero ser um… E essa é a minha primeira história.

Saindo direto de um teste empresarial para aprendiz de artista, pela 5° vez finalmente passou. O menino saía gritando das audições vitorioso, o brilhos nos seus olhos eram maiores do que qualquer coisa. Consegui! era o que claramente dizia o seu sorriso, seus pulos sobre as lixeiras do corredor, o doce de cada ruga que sua expressão infantil marcava na fina pele momentaneamente muito irrigada pelo sangue e adrenalina que não paravam de escorrer em suas veias. “Sai da frente, moço” gritou uma menina de patins que andava tranquilamente até o outro super feliz esbarrá-la antes que pudesse vê-la à frente.

– Você está bem? – Questionou a menina assustada com os patins.

Antes que Sehun pudesse responder, a provável estrangeira com sotaque deveras charmoso, pensando o menino, foi pegando algo no bolso. Ao pensar, Sehun, que a menina lhe daria dinheiro, já foi recusando com as mãos até ver que invés de dinheiro, pegara 2 bilhetes.

– Aceita ir à cafeteria comigo? O único pedido de desculpas que posso oferecer-lhe no momento.

Quando olhou direito para essa misteriosa estrangeira, reparou seu busto. Não tinha peito algum, ombros muito largos até para uma lutadora de Judô. Não era uma menina, era um rapaz aparentemente universitário. Oh Sehun assentiu com a cabeça, o susto o fez esquecer até o motivo daquela confusão toda: sua comemoração.

Com muito esforço, o estrangeiro, homem, chinês e universitário intercambista, também trainee, Luhan conseguiu saber que Sehun acabara de passar em uma audição. Sim, nosso protagonista coreano não é muito de falar, nunca foi. Aquele dia em que estava tão feliz por garantir uma vaga para ter a permissão de lutar pelo seu sonho era uma exceção, mas também, ai dele se não fosse! “Ambos partilhamos o mesmo sonho”, pensou Sehun sem a menor coragem de comentar.

“Gostei de conhecê-lo… Apesar de não falar muito, sinto conforto no seu silêncio. Podemos sair de novo? Como te contei, ando meio solitário desde que me mudei para cá.” Enviou o estrangeiro um SMS ao, que tanto o relia, Oh Sehun. Pelo menos parecia recíproco.

Deitado na cama, refletindo o dia, lembrou-se do café; brincaram de autografar papéis um do outro, Luhan seria uma estrela há um pouco mais tempo em empresas diferentes, obviamente. Não parava de mirar o papelzinho. Só de ouvir a história do outro, Sehun sentiu que poderia dizer que o conhecia, mas mesmo assim queria saber mais sobre o encantador menino de patins. “Saúde” estendia Luhan sua xícara brindando o momento de Sehun, uma comemoração indireta e por acaso… Ai, doloroso acaso…

“Pensei que fosse uma menina” Sehun revelou em seu 3° encontro, finalmente conseguiu falar. Todos os dias estavam lá, no mágico e nostálgico Café. Apreciavam cada saída, mesmo que fosse sempre pro mesmo lugar. Estar com Luhan pra ele era especial, chegara num nível que nem ele tinha percebido. Essa espécie de relacionamento quase podia chamar-se de paixão. Um ano passou e Luhan já estava formando e não conseguira debut ainda.

“Não passo de um colegial” pensava alto Sehun às lágrimas imaginando que se seu namorado não arranjasse um emprego rapidamente, voltaria para a China a qualquer custo. Por que não posso trabalhar sendo menor de idade? Por que não posso arranjar empregos enquanto faço o ensino médio? Tais dúvidas surgiam na cabeça do menino apesar de saber as respostas de todas, basicamente a mesma: o ensino médio na Coreia era integral e ainda faltava um ano para a sua formação. Mesmo assim, desde aquele dia de puro êxtase por conseguir uma vaga na escola de Idol, Sehun já teria um destino todo trilhado, isso significava também esconder sua sexualidade, além de  que, arranjar empregos, fazer intercâmbios estava fora de questão. Só tinha opções que o implicasse ficar longe do amado.

“Está tudo bem, eu tenho um plano. Por que andas chorando tanto?” Luhan secava as lágrimas do namorado que chorava baixinho desnudo em seus braços. Eram 3 da manhã e ambos se encontravam aflitos, enrolados em lençóis molhados pelo suor de uma noite que há tanto esperavam, sem contar os conflitos e as angústias que, quando não expressas de forma sexual, era aquele choro incontrolável de apenas uma parte, o que parecia tão frio, mas na verdade hipersensível, Oh Sehun. “Parece que invertemos os papéis…” Disse o coreano que já ficara cansado de tanto reclamar e preocupado que estivesse chateando o mais velho com tanto chororô. “Fico feliz por isso…” Luhan o confortava em frente a sorrisos transbordados do seu rosto ao estar tão conectado ao outro. Ele realmente ficava feliz que Sehun se sentisse tão próximo ao ponto de começar a se expressar, principalmente em palavras.

“Fico feliz quando chove…”  soltou admirado o menor chorando “Faz as minhas lágrimas parecerem insignificantes…”, saiam nus na madrugada apreciar a o temporal que tanto confortava o mais novo. Ninguém os veria em um albergue tão distante senão os próprios moradores que, se não dormindo, estariam fora. “Sehun, grite!” e o mais novo obedecia, era a maior demonstração de liberdade que podiam praticar, pois era real, por mais que fosse a um curto período de tempo, era sim real. Corriam em frente, qualquer caminho que não os levasse a uma civilização era válido, beijavam-se nus enquanto a chuva carregava suas lágrimas, suas mágoas.

Foi inevitável. Na despedida de Luhan de volta a China, Sehun nem sequer apareceu. Não, seria demais ver aquilo acabar assim.  “Tudo bem, já imaginava que não viesse. Que bom que não veio, meu rímel não para de escorrer, e eu não quero que me veja assim.” Luhan não usava rímel, ele abominava qualquer tipo de maquiagem, nele. Parecer uma menina sempre o traumatizou, então praque uma analogia tão falsa? Sehun pensava… Talvez a dor do mais velho fosse tão grande que não haveria verdade para sustentá-la.

“Vou voltar para te buscar”, foi o erro crucial de Luhan enviar essa mensagem. Sabemos que quando estamos tristes falamos qualquer coisa que pareça esperançosa, uma delas é confortos que implicam em promessas que nem sempre podemos cumprir, pois não temos controle algum do futuro. Lembra-se do acaso? Sim, ele mesmo. Sehun foi uma pobre vítima desse doloso vilão.

Formando-se na escola, Sehun passou a trabalhar integralmente na empresa, não tinha tempo pra nada senão suas atividades. Luhan não ficava pra trás, agora que obtivera formação no curso de graduação do exterior estava exercendo sua profissão como professor de chinês para coreanos. O chinês tutor preparava intercambistas coreanos para falarem chinês a fim de irem pra China. Ele com toda certeza poderia treinar Oh Sehun findando trazê-lo para si, não podia? Mas infelizmente não foi o que aconteceu. Com tamanha falta de tempo para contato, Luhan foi vivendo a sua vida como professor, culturalmente a imposição social do casamento acabou perseguindo-o então o fez. Passou-se 4 anos desde o último encontro, Luhan pai de duas crianças, uma com 3 anos e outro com 6 meses. Sehun debutou como Idol na Coreia explodindo de cara a toda extensão da Ásia. Ambos pareciam seguir vidas felizes separadamente, Luhan como um professor bem sucedido e excelente pai de família, Sehun com seu sonho totalmente realizado… Era o que parecia.

Naturalmente, com a sua fama por toda a Ásia, Sehun agendou um show na China. “Turnê amanhã em Pequim, ansioso para conhecer as cafeterias de lá” escreveu em seu site oficial. Sim, era uma espécie de mensagem subliminar, ele sabia que Luhan leria, e realmente leu. Após tanto tempo longe – 4 anos mais ou menos – perderam contato, quase tudo mudou, só o que não, foi o passado. Cafeteria, original, não? Era a maior marca de que o que viveram existiu. Início…

Não existia espaço na cama para os dois naquele momento, a qualquer hora poderiam cair, era o que pensavam ao praticar atos tão selvagens de vandalismo sexual, lambuzavam-se por completo ao se esfregarem selvagemente de um modo que só um ser naturalista ousava fazer. O pênis do Luhan adentrava Sehun por completo como só essa posição fazia, os joelhos deste doíam de tanto ralar nos lençóis de seda. Fios do cabelo do mais novo embolados soltos entre os dedos do mais velho. Sehun tinha pontos roxos da surra de pica, chupões que quase lhe estouravam os capilares sanguíneos e os fortes tapas glutinais dado pelo seu, não tinha nome definido, mas era certo que era seu.

Quando finalizou todo o ato de atraso exterminado, a chuva caiu. Sim, mais uma vez esta presente no momento de angústia maior do protagonista coreano “Disse que iria voltar, o que aconteceu?”… Foram as últimas palavras do mais novo antes do seu suicídio uma semana depois. Era inexplicável o fim desta história… Tão inexplicável quanto doloroso… Por mais que Luhan fosse professor, não poderia jamais dar um conceito de futuro em um contexto como o seu, ou sequer poderia explicar a infelicidade que ambos sentiam ao serem separados pela manipuladora vida, a maior amante do acaso.

“Tem certeza de que quer fazer isso?” eu disse a ele quando me contou a história para relato. “Sim…”.

A verdade é que o mundo os fizera acreditar que tudo passa. Mas as sequelas da marca de um para o outro jamais passaram, tudo iniciara em uma cafeteria, e para Luhan terminou na mesma. Então entendi o porquê a concessão da história. O fim do romance tinha ofuscado de tal forma a razão de Luhan que o pensamento da sociedade não o incomodava mais. Como pra Sehun, aquilo significa o fim de sua vida. Nem a chuva foi capaz de carregar tamanhas mágoas.

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