Pink Tape – Spin Off

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Não consigo lembrar de quase nada da madrugada de ontem…. Lembro algo da garota, Amber. Lembro dela sem blusa, lembro de algo semelhante a um beijo, mas depois acredito que apaguei. A Emilie tinha uma personalidade idêntica a dela, até seu vício em drogas leves em troca de um preenchimentos em fundos emocionais. Os discursos, o modo que fuma o cigarro, até mesmo o frio que sente quando toma LSD via cutânea se assemelha a minha personagem. Emilie. Emilie, olha só onde fui te encontrar! No corpo de uma tomboy… Preciso do telefone dela, pelo bem de Pink Tape. O corpo já está pronto, só preciso dar a vida. Toque divino de uma mulher, no corpo de uma mulher… Ou quase.

– Jin. – Esbarrei com ela no corredor.

– SOOJUNG! – Pulou em cima de mim quase as lágrimas enquanto me sufocava com aquele abraço intenso até demais.

– Au, o que houve? – Questionei quase a chutando. Provavelmente única maneira de sair viva dessa ursa.

– Fiquei tão preocupada! Passamos a noite falando de vocês! Nem conseguimos ir até o fim… Tá com raiva de mim?

– O que? – Tento por a cabeça no lugar. Do que é que ela está falando? O que eu tinha que fazer? – Aé! Tem o telefone daquela menina, a Amber?

– O que? Não me diga que gostou dela? Fiquei preocupada pra nada! Perdi a noite com a Vic atoa?!

– Vocês não transaram? Por quê?

– Por que fiquei preocupada com você! Como eu ia adivinha que de repente começou a gostar de “rapazes”? – Sim, fez as aspas com os longos dedinhos.

– Calma, não quero o número pra ficar com ela. Só quero…  – Avistei a Luna há uns 20 metros. Dei tchauzinho, ela viu e ignorou. Saiu voada seja lá pra onde foi. Fiquei preocupada.– Preciso ir…

– Hã?

– Depois pego o número, licença. – Saí correndo atrás dela. Será que está chateada por ontem?

Ela entrou na sala. Aula de estatística. Precisa de passe para entrar na sala, e eu tinha esquecido o meu.

Depois de 4 horas, voltei a procura-la. Perguntei nos corredores mas ninguém tinha certeza se a viu, até que lembrei que ela tem treino hoje.

Como imaginei. Encontrei-a chefiando a equipe de Cheerleading. Nossa! como ela ficava gostosa com o uniforme… Parecia estar muito brava, mandando o povo fazer umas flexões escrotas por capricho e afins. Decidi não me meter e só falar com ela mais tarde, quando estivesse em casa, bem. De banho tomado, entende?

“Luna”, gritei no portão da casa dela em plenas 19h da noite. A campainha estava quebrada e parece que ela não quer atender o celular de jeito nenhum. “Luuuuna”.

– Sh… – Disse a própria da janela – Já vou abrir! – Praticamente cochichou furiosa.

Ao abrir o portão, fui dar um abraço, ela logo estendeu a mão e questionou zangada:

– O que veio fazer aqui? – Cruzou os braços. – Minha avó está doente e detesta barulho! Me vem você gritando a essa hora da noite aqui em casa?

– Perdão, você deixou o celular desligado…

– Estava estudando, não queria ser incomodada.

– Então por que não me chamou para estudar como sempre faz?

– Porque não quero levar outro bolo pela Choi Jinri…

– Ah, então tá brava por aquele dia?

– Claro que sim! – Viu que se entregou e então ficou sem graça.

– E foi legal? – Tentou ser arrogante. – Gostou da A-M-B-E-R?

– Quem? – Amber? A menina que quase transei ontem? – Que isso, Luna…

– Uai, não foi o que a Choi Jinri disse? “A amber está te esperando”?

– Desculpa, gata. É porque eu tinha marcado com a Jin há tempos, era uma saída importante que eu não podia furar…

– E você transou com ela?

– Claro que não! – Mas quase. – A menina é tomboy e não tem peitos… – São maiores do que os meus, ainda!

– Então só voltou atrás porque tenho peitos?

– Voltar atrás? Não aconteceu nada, não era para ter acontecido nada! Era só uma amiga da Victória Song. Eu só fui acompanhante da Amber para segurar vela. – Cruzei os braços. – Eu e você não somos nem namoradas pra ficar tão brava comigo! Não houve nada, só o fato de além de me enrolar ainda fica me interrogando…

Luna ficou séria. Realmente aquela situação dependia dela. Tínhamos um relacionamento que só não se tornara namoro porque ela não permitiu.

– Bem… – Tentou mudar de assunto. – A noite foi legal? – Perguntou de braços cruzados e fazendo um biquinho preocupado.

– Eu preferia ter ficado com você…

Com a demonstração meio tosca de carinho da minha parte, Luna se encheu de alegria e deu uns dos pulinhos fofos que dava sempre que ia me dizer “oi”.

– Verdade? – Sorriu.

– Sim… – fiquei meio sem graça com isso.

Ficou toda derretida com tudo isso. Meninas héteros são muito fáceis, por isso se magoam tanto, Deusa a livre.

– Quer dormir aqui? – Ela propôs animada.

– Sua avó não está doente?

– Não, só está vendo a novela. Ela é quase surda, não tema, ela não vai nos incomodar.

Como não capitar a mensagem subliminar por trás de um convite desses?

Entrando no quarto da Luna, fiquei surpresa com o aspecto e vi que minha mãe tinha razão, meu quarto é uma zona. Sério, o quarto da Luna era mais limpo que o da Sulli, e tipo, a Sulli é filha de militar. Em compensação, parecia um quarto de criança; paredes rosa, cortinas tipo da Barbie com laços imensos,  uma coleção assustadora de bonecas de porcelana divididas em três prateleiras de parede e uma estante de livros com contos infantis. Tudo rosa e assustador… Seria o cenário de Pink Tape?

– Ah… Você fez a faxina? – tentei desviar o foco do terror psicológico que a decoração me causava e concentrar-me na limpeza que o quarto exalava.

– Lol, claro que não. – deu risadinhas como se algo fosse muito engraçado. – A minha avó que o arruma para mim…. – Me ajuda a empurrar a cômoda para a porta? – Foi arrastando uma grande cômoda lilás em forma de baú para a porta.

– Pra quê? – fui empurrando.

– Precisamos trancar a porta, oras.

– E… Por que não usa a tranca?

– Minha avó não tem coragem de me dar uma…

– Ah… Seu quarto é tão… – Assustador? – Organizado, não sei porque a preocupação por parte dela…

– Ah, não é desconfiança comigo, ela tem medo de pegar fogo ou alguém entrar pela minha janela e não ter como eu fugir…

Que bom, porque quero fugir… Tira essa cômoda daí, moça!

– Meu Cravo(piano medieval) ficava aqui… Mas tive de tirar porque não combina com a decoração.

– Toca Cravo? – Fui me aproximando despindo a minha blusa. Essa informação de repente fez o meu tesão voltar.

Agora sim! Pink Tape.

– Toco desde os cinco anos… Minha avó era professora antes de ficar surda…

– Ah, que pena por ela… – Minhas mãos já tocavam o corpo dela ainda vestido. Passava por dentro da blusa com a real intenção de tirá-la.

– Sim… – Luna me abraçou delicada. – Posso botar uma música no radinho da Barbie? – Sorriu.

– Ah… – Em cima da escrivaninha rosa da barbie? – Pode sim, gata.

Ela podia colocar de tudo,  menos o que me frustrasse: cantorazinhas americanas da Disney, Nick e afins. Por favor, por quê?

– Gata… O que é isso? – Fui o mais educada possível. Meus ouvidos estavam sendo torturados, socorro!

– É a Demi Lovato, Heart Attack! É o que você está me causando! – Me beijou risonha pela piada tosca.

– É, essa música tá causando isso em mim também. – Falei antipática.

– Ai, Krys! Deixa de ser grossa… – Se afastou com os braços cruzados. Olhou-me amuada, tirou a blusa e deixou a mostra aqueles peitões lutando para não pular do sutiã.

Fiquei com muita água na boca, ela veio de mansinho acariciando o meu rosto fitando-me com desejo de apoderar-se de mim.

– Quando vou para a sua casa, a gente não escuta o que você gosta? – Beijou o meu pescoço, ai que tesão… assenti com a cabeça que sim. – Então…Na minha casa, a gente escuta o que eu gosto… – Beijou o outro lado do meu pescoço. – Tudo bem?

Confirmei balançando a cabeça e a ataquei com os lábios cheios de desejo. Nenhum beijo nosso tinha sido antes tão sedento. Apalpei a bunda dela naquele shortinho jeans com força, como ela ficava gostosa de jeans! Imagine sem…

Deitamos na cama aos amassos, ela parecia mais atrevida hoje. Desabotoo o shortinho e mandara-me tirá-lo. Que delícia quando ficava mais safada. Usava uma calcinha de pano branca, dava pra ver de longe que tava depiladinha.

– Krys, vem brincar comigo. – Apalpou os próprios seios sugerindo neste ato que eu os mamasse, e claro, farei com todo prazer.

Apalpei-os indo em direção ao esquerdo que tava com o bico mais rijo. Abocanhei sugando dando leves mordidinhas, arranhando meus dentes da base ao pico repetidas vezes. Pincelava a ponta com a língua que deixava Luna alucinada, contraindo levemente o corpo. Fiz um círculo de chupões em volta da auréola e brinquei com as mamas com o meu rosto entre elas. Passei para o bico direito, dando uma mamada safada. “Morde levinho, Krys” Luna suplicava se contraindo de prazer com a minha selvageria. Missão dada é missão cumprida, mordi a pontinha do bico levemente diversas vezes. Luna começou a abafar os gemidos agora mais altos com o travesseiro no rosto, mesmo assim seus gemidos eram consideravelmente audíveis.

Pus uma das mãos dentro da calcinha dela que já estava bem molhada, poderia fazer um firsting que ela não sentiria dor alguma. Provei seu néctar que deixara grandes rastros na sua lingerie. Seu gosto era adocicado, como Luna. Fiquei animada pra descer até lá e fazer a selvageria de verdade. Retirei a calcinha com os dentes. Estava quase certa, não estava totalmente depilada, tinha o desenho bem fininho do bigode do hítler aparadinho, sabe? Me deu ainda mais tesão.

Brinquei com o meu dedo no bigodinho dela, ameaçava entrar a qualquer momento. Quando Luna abrira um pouco mais a perna, penetrei com o indicador. O corpo dela se contraiu por inteiro, os músculos faciais estavam rijos, comprimia os olhos de maneira involuntária.A movimentação estava tão intensa que Luna se esforçava para continuar mantendo a perna aberta, sua perna esquerda tremia e até o seu ânus piscava.

Pus mais um dedo. Massageava seus pequenos lábios com a língua enquanto socava os dois dedos na bixinha. Seu clitóris estava ereto, mas resolvi não mexer lá por enquanto, tive medo dela gozar logo, pois estava muito tensa e eu ainda queria fazer mais brincadeirinhas.

– A Unnie tá gostando? – fiz uma voz de aeromoça.

– Enfia mais fundo, dongsaeng. – Gemia se segurando para não fazer um escanda-lo de prazer.

Com um pedido desses, nem hesitei, coloquei o 3° dedo e penetrei mais fundo conforme suplicara. Pressão leve, mas profunda.

– Ai, Krys… – Apoiou a sua mão na minha ajudando a enfiar os dedos mais fundo. – Amor…- Ela queria todas as suas lacunas preenchidas, principalmente as que namorado nenhum preencheu, as do coração.

Luna se sentia tão mal com as decepções que tivera na cama que os meus toques, mesmo os menos habilidosos, eram capazes de despertar conforto ao ponto de chamar-me como jamais chamaria em bom estado, Amor.

Luna deslizou os dedos da mão direita para brincar com o próprio clitóris enquanto utilizada dos dedos da outra mão para beliscar e brincar com seu mamilo esquerdo. Antes de me conhecer, Luna não se masturbava, nem sequer gozava sempre durante as transas com seus namorados homens, egoístas.

– Krys, eu sou gostosa? – Questionou se insinuando ainda mais para mim.

– Mais linda impossível.

Tirei os dedos de dentro dela por enquanto. Quero brincar com a boca agora. Retirei a mão da Lulu que brincava tão assiduamente com o grelinho, beijei os dedinhos dela e chupei a membraninha tão ereta que ela acariciava. Agora foi quase inevitável, ela soltou um gritinho agudo que nos preocupou.

– Luna! – Cochichei nervosa.

– Desculpa! – cochichou preocupada. – Será que a minha avó ouviu? – Ela questionou preocupada.

– Vai lá ver…

Eu é que não arrisco… Porta sem tranca, sabe-se lá.

– Ah, não! Vamos continuar… Se ela empurrar a gente vai ver. – Me beijava enquanto argumentava.

– Tem certeza? – Retribuí os beijinhos preocupada.

– Sim… – Colocava a mão esquerda por baixo da minha saia. – Tira a roupinha, também quero brincar… – Fez um biquinho lindo pedindo.

– Agora não, ainda tá na minha vez! – deitei-a novamente descendo ao ponto que estava.

Agora ela tava mais calma, aproveitei para apelar com as brincadeirinhas sem medo dela gozar fácil. Deslizei a minha língua de cima para baixo, dando leves pressões na região da vulva. Brinquei com o clitóris utilizando a ponta da minha língua em movimentos circulares, desci mais um pouco para os pequenos lábios e os beijei com vontade. Subi e suguei a entrada de sua uretra enquanto massageava o clitóris com o dedão. Com o prazer que sentia, suas pernas ameaçavam fechar, mas sua mão continuava apoiando a minha cabeça equanto a outra beliscava o seu delicioso mamilo.

Como o ânus ainda piscava, senti-me desafiada a brincar com a língua lá. Fiz uma cunete caprichada naquela bundinha nervosa, e quando ela menos esperou, dividi 3 dedos de volta a xaninha e o mindinho pra brincar mais embaixo(cu). Penetrei desta forma diversas vezes, até ela se contorcer a tal ponto de virar-se e ficar de quatro pra mim, empinando bastante o bumbum.

Mordi as nádegas redondinhas e malhadas da Lu, brinquei mais um pouco com a minha língua no ânus dela e introduzi o dedão, voltando a penetrar junto com os três dedos na vagina.

– Ai, que feio, Krys! Me comendo de quatro! – gemia quase gritando.

– Sh… Não grita, Lu, sua avó é surda mas pode ouvir!

Gemia sem controle algum do próprio corpo, quicava nos meus dedos como uma louca enquanto acariciava o próprio clitóris. Masturbava-me de joelhos com a outra mão enquanto comia a Luna e admirava esse corpão por outro ângulo. Acho que foi a primeira vez que fizemos DP. É muito gostoso sentir o controle dela em minhas mãos! Bem… Em uma delas…

Quando ela gozou, saiu um squart tímido molhando toda a minha mão. Gozei ao ver a deliciosa sujeira que Luna tinha feito.

Eu e a Unnie deitamos uma ao lado da outra exaustas demais para qualquer movimento. Abraçamo-nos confortando uma a outra ao som da Demi Lovato para me broxar nessa pós-transa.

– Posso desligar a coisa que você insiste em chamar de música, gata?

Luna riu e assentiu com a cabeça. Desliguei o radinho tosco finalmente, deitei-me a recebendo em meus braços, quase adormecidas, ambas com cheiro de sexo.

E então, observando o quarto rosa, lembrei-me de Emilie e consequentemente de Amber. Filtro rosa, cor inocente e infantil, com leve traços de terror, bonecas brancas de vidro usadas como grandes símbolos no cinema de horror oriental, contrastando. Amber, qual seria a sua reação te trazendo aqui? Preciso pedir a Sulli o telefone…

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Obsessão

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Durante muito tempo busquei lutas que me deixassem mais forte. Meu verdadeiro motivo existencial era a morte dos meus oponentes; quem ficasse no caminho iria alimentar o meu objetivo vital. Matei tantos que até invejo o inimigo que é morto pelas minhas mãos; quando ele se debate e implora por vida ou uma morte rápida com lágrimas intensas nos olhos, viro-me e conforto-o “Sinta-se orgulhoso, essa mão que vai te matar, matou mais de mil”, e dou o golpe final. Após sua morte, devo enviar o corpo o mais longe possível do cenário. Ninguém pode encontra-lo, nem mesmo meu mestre de combate.

Os Shinobis estão sob juramento de batalha, um corpo de Shinobi possui muitas informações que devem ser preservadas. Ainda que em uma guerra, a ética e a moral nunca deixam de ser válidas, somente o oponente guarda as lembranças e apenas via luta. Se ele está morto, não tem porque buscar proteção dentro das mais profundas táticas de batalha, aquelas técnicas tão pessoais que marcavam o ninja como o único. Mesmo que quisesse violá-lo, quebrar o código de ética chamando um especialista em drenagem de minha confiança, ou usando jutsus proibidos para tomar o poder que meu oponente tinha sacrificando minha integridade como ser humano, nunca me importou quais as armas que um ninja têm; nível de força ou segredos hereditários. Para mim, isso não mais que faz parte de qualquer Shinobi, mesmo que fossem artifícios diferentes, técnicas únicas, isso não era um diferencial para mim. Surpresas são diferenciais para mim, e só tem uma surpresa que me cativa: a quantidade de tipos de pênis que existem em um homem.

Como um estranho hobbie, após matar os meus inimigos, checo seus genitais para alimentar a minha teoria de que surpresas sustentam o ser humano como ser humano. Não importa a vida que leve: uma parada de Genin, agitada de Chunin, arriscada de Jounin ou ainda pior como a minha na hierarquia, os Anbu; todo o ser humano precisa de um passatempo medíocre que o faça se sentir bem, e normalmente precisam estar carregados de surpresas. Por meio de lutas, é tão comum para mim que não consigo atuar na área não entendo como minha vida, apenas minha vida. Cada missão é só mais uma missão, cada inimigo morto é só mais um Shinobi que falhou cumprindo seu dever. É a vida, apenas. Atingir meu objetivo de ficar sempre mais forte, minha ideologia. Surpreender-me refletindo cada falo como um novo falo é o que me sustenta como ser.

Não me considero um pervertido ou com um passatempo estranho típico do diletantismo. Ao contrário. Enquanto as pessoas consideram seus genitais vergonha ou exclusivo para reprodução, excreção, eu os vejo como contemplação. Não me interessa toca-los ou usa-los para nada, apenas observa-los. Juro que quando vejo um, já me bate a emoção – inclusive, única que sou capaz de distinguir, porque não sinto, não costumo sentir -, o espanto, a surpresa, a admiração de um milagre divino. Quando vejo crianças se surpreendendo com o meio que vai descobrindo durante o crescimento, penso que temos isso em comum com alvos não tão desiguais, não é apenas um falo, é o falo. Como Deus conseguiu criar tantos pênis diferentes? O pênis é como uma identidade, uma digital impressa em cada ser. Me surpreendo como pode, em mil homens, cada um ter um de um formato, tamanho, espessura, cor, tipo, até os prepúcios ou a falta deles ajudam na distinção. É fascinante.
Nos livros sempre busquei informação sobre a vida, sobre hábitos típicos humanos e o que os nutre espiritualmente. Em um livro tribal li que os falos representam força em muitas culturas, e analisando as informações passei não mais  avaliar os pênis dos meus companheiros. Se vou medir a força, que seja sem preconceitos, terei de lutar para então confirmar se as informações são ou não verídicas. Até então, certo. O livro tornou-se minha bíblia sem questionamentos; os guerreiros mais difíceis de derrotar eram os que tinham pênis mais brutos. Os falos tornaram-se mais do que um simples alvo de admiração, mas um mensor de performance em capo de batalha. Tornei a verdade absoluta do mundo por meio de comprovação posterior, até conhecer Uzumaki Naruto.

Eu expliquei que não analiso os pênis dos meus companheiros… Mas com Uzumaki Naruto foi impossível. Primeiramente, o nosso primeiro contato foi por batalha, mesmo que tenha sido uma brincadeirinha. Testando sua força, pensei que não tinha sequer pênis e que toda aquela tagarelagem de que era um ninja especial remetesse apenas a sua condição como um Jinchuuriki. Não, ele era mesmo forte, mas nunca tinha visto um falo tão delicado na minha vida.

Inicialmente obtive a satisfação de comprovar mais uma verdade que eu carregava quando tomamos banho pela primeira vez. Não sei se a água quente influenciava, mas seu pênis estava bem escondido, muito mais que o meu. Na primeira luta, seguindo a análise de seu potencial, vi que era bom. Então fiquei um pouco desconfortável e extremamente curioso. Como seria realmente o seu falo? Não dormiria em paz até comprovar a minha teoria, precisava de respostas decentes.

Durante as noites, descobria-o delicadamente, sem que ele percebesse. O problema é que os sonhos eróticos eram diários. Não poderia concluir nada com seu pênis duro, porque como o meu, se modificavam e escondiam os mínimos detalhes analisáveis. Comecei a esperar.

“Que tal um banho na lagoa?” tentei expressar simpatia.

Ele apenas me deu as costas e saiu. Não entendi muito bem o que seu rosto dizia, mas acho que ele não gostou da proposta.

Comecei a ser mais cauteloso com os meus estudos. Sempre esperava Naruto ir tomar banho para que eu fosse logo atrás, mas ele era meio… Retardado. Primeiro entrava na água e então tirava a roupa. Parece que fazia isso para lava-las e vesti-las limpas no dia seguinte. Esse homem não deveria ter pênis, não segundo os meus estudos…

Essa minha obsessão chegou a ir tão longe que pensei em mata-lo num treinamento só para poder finalmente tirar essa dúvida cruel de mim. Tinha que existir outra saída, não é possível. Fiz uma estratégia tosca, mas tão friamente calculada que confiei na certeza do sucesso. A intenção era paparicar Sakura ao máximo anonimamente para que ela finalmente desse uma atenção a ele. Com isso, o intuito era fazê-los se estreparem para que Naruto finalmente pudesse parar de ter sonhos eróticos. Podia dar certo, ou o plano trabalhoso poderia ir por água abaixo se Naruto for um pervertido e passar a ter ainda mais sonhos eróticos por imaginar o que faria com ela no dia seguinte. Como era a única coisa em mente, decidi arriscar.

Todo dia era uma nova flor, um novo catão entre outras coisas que sempre li de como satisfazer as pessoas em uma situação amorosa. Como mulheres eram sempre flores, tentei. Só tinha um furo na minha teoria, Sakura podia se confundir, e então acabou se apaixonando por mim. Eu não contava de forma alguma com isso, por que nunca demonstrei – até porque nem posso – interesse algum por ela. Na cabeça dela, Naruto era tão infantil que jamais pensaria nisso. Bingo, ele ficou tão deprimido que os sonhos eróticos cessaram.

Depois de uma longa “aventura”, várias feridas que lhe causei por querer mata-lo, perder tempo criando estratégias perigosas só para poder olhá-lo, cheguei enfim ao meu objetivo enquanto ser sustentável. Em um sono pesado, averiguei suas expressões faciais. Provavelmente sereno. Isso significava talvez que seu sono estivesse pesado.

Com leveza, puxei o lençol que o cobria. Posicionei-me abaixo entre suas pernas, para facilitar a retirada da peça. Puxando o shorts, foi inevitável a surpresa, o fracasso da minha teoria. Pela primeira vez eu estava errado. Confirmei. Aqui estava o fim das minhas perguntas, mas início de outras questões. Únicos sentimentos que eu era capaz de distinguir era a surpresa, mas além da surpresa senti algo novo. Tentei averiguar na minha cabeça o que os livros denominavam os sintomas presentes agora em mim. Eu tinha vontade de chegar mais perto, fareja-lo, de senti-lo com as mãos, com a língua. Eu estava curioso para saber se era real. Mais do que uma surpresa, era uma necessidade. Pensei que minha existência estaria em jogo se eu não fizesse. Eu simplesmente não podia acreditar.

Com ainda mais cautela, puxei seu calção até coxas. Acariciando com leveza, me toquei que era a primeira vez que eu sentia a textura de um falo que não era o meu. Aproximei o meu rosto sem desviar o olhar da face de Naruto. Senti seu cheiro agridoce de água com sais de ervas, provavelmente do banho termal que tivemos mais cedo, e seu leve suor noturno. Uma fragrância viciante.

O sabor também seria inesperado? Pus de leve a língua, o mais rápido para que não o acordasse. Era tão maravilhoso que abocanhei esquecendo-me dos disfarces que tinha aprendido nos livros sobre plena situação. Pronto. Era esse o nome do novo sentimento que eu estava tentando categorizar, descontrole. Surpresa, descontrole.

Agora tenho duas distinções emocionais para a minha coleção.

Eu estava realmente descontrolado, não conseguia parar de senti-lo em mim, eu tinha vontade de engoli-lo, digeri-lo com vontade, presencia-lo dentro de mim da forma menos abstrata possível. O pênis de Naruto foi a fonte de rompimento ideológico vital que eu carregava. Agora entendo como os que acreditam em um seguimento espiritualista se sentem ao descobrir uma inexistência de seu Deus. Eu estava me sentindo como um ateu; surpreso, desacreditado, descontrolado.

Agora eram três.

Perdido em inconsciência, todos os meus sentidos estavam voltados apenas para o ato. Minha guarda estava completamente baixa, cheguei a pensar se o que eu estava fazendo era deixar de ser Shinobi. Com tanto pensamento descontrolado na minha cabeça, com tantas emoções novas distinguidas, confusão em mente, acordei do transe quando sinto um chute diretamente da sola em meu rosto. Naruto tinha acordado, e pelo sua face parecia estar furioso.

Mais um soco foi dado, mas dessa vez, suas expressões mostravam confusão. Não sabendo como reagir, apenas o imobilizei como as mãos e pedi calma. Ameaçou gritar, então o calei colando os nossos lábios, único membro livre para fazê-lo. Tal foi a força que mordeu meu inferior que o gosto de ferro me irritava. Pedi calma novamente, só que agora o jogando no chão com o meu corpo por cima. Suas faces tornaram a ruborizar, mas agora de vergonha. Ele começou a se debater tentando fugir ao máximo da situação, paralisei suas mãos com mais força e beijei os lábios novamente antes que ele tentasse gritar. Surpreendeu-se outra vez.

– Por favor, pare. Vai acordar a casa inteira. – Pedi.

Ele franziu o cenho aparentando estar com, acho que, raiva…

– Peço desculpas. – Soltei seus braços. Demonstrei um sorriso amigo, mas lembrei que essa expressão estava tão barrada pelo grupo que nunca conseguiam diferenciar simpatia de deboche.

Levei um tapa no rosto. Acho que ele não conseguiu, como eu imaginava.

– Como você pode fazer uma coisa dessas e depois simplesmente pedir desculpas?

Tudo bem que isso o deixaria surpreso, mas não imaginei que fosse motivo para tanta algazarra. Afinal, quando tropeço no pé de alguém, são raros os casos que querem matar.

– Não sabia que ficaria tão zangado. Apenas isso. – Expliquei da forma mais normal possível.

Sua expressão tornou-se uma incógnita total. Acho que nem se eu tivesse sentimentos consideraria uma categorização.

– Escuta, eu não gosto dessas coisas. Não sou gay… – Senti sua saliva descer com muito gosto. Parecia estar nervoso, não sei. – Eu já te contei que meu primeiro beijo apesar de ter sido com um menino, foi acidental. Mas quero que entenda que eu não gosto dessas coisas. – Seu olhar começou a percorrer todos os lados, parecia que não queria olhar para mim. Em dois segundos, senti uma rigidez nas minhas coxas, era o falo dele.

– O seu pênis, ele está duro por algum motivo? – sussurrei confuso. – Você me acha bonito ou algo assim? – Questionei tentando entender.

– O que? – perguntou assustado. – Não é anda disso! – Sua face ruborizou novamente. – Por que eu acharia você bonito? Isso não é por você… Eu acordei assim, você nunca acordou de pau duro? – Esclarecia uma enorme irritação, mas sua fala soava bastante gaga.

Uma confusão volta a minha cabeça.

– Mas quando eu estava chupando ele estava normal. – respondi tentando compreender a situação.

– Como você consegue falar isso com tanta normalidade? – Estava assustado. Essa expressão é impossível de não distinguir.

– Mas é verdade. Quando eu estava chupando, ele estava normal. Só está duro agora. – Toquei seu pênis para conferir.

– Não toque aí, bastardo. – me empurrou. – Se fingir que isso nunca aconteceu, eu apenas durmo em outro dormitório que não seja com você e não faço um escanda-lo.

Tentei entender a situação. Por que isso era tão grave? Por que se orgulhava quando seu pênis subia por Sakura, mas quando era por mim se envergonhava?

– O problema é por você não ser gay? Olha, muitas pessoas já me confundiram com menina, então não precisa ficar preocupado. – Tentei confortá-lo.

– Não é nada disso, esquece que isso aconteceu, por favor. – tentou cobrir o falo com uma peça de roupa dobrada. Mas estava rijo, e como tinha crescido…

– Então, não vai contar para ninguém o que houve aqui?

Ele respirou fundo.

– Não, não quero armar um escanda-lo gratuito. E você é doente, não quero perto de mim, mas não o odeio, só tenho pena por ser tão escroto.

– Se for por mim, pode contar, não quero estar em dívida com ninguém.

Em um livro li que a dívida é um laço vital, se não a paga, perde o que há de mais valioso: a honra. Não quero que o que o ser humano tem de mais precioso dependa dele.

– Está tudo bem – Sorri para acalma-lo.

Sua face caracterizou um espanto. Parecia com medo agora.

– Não faço isso por você, faço por mim. Não quero que ninguém saiba que me tocou, ou que eu gost… – Travou assustado com o que ia falar.

– Gost…? – Tentei analisar a palavra. Radical de gostar, provavelmente.  – “Gostei”? Você gostou? – confundi-me com a situação?

– Claro que não! Deixei escapar uma palavra confusa sem pensar. – Sorriu tentando disfarçar. Esse menino era tão óbvio que distinguir expressões tornou-se fácil.

– Olha, se tiver gostado posso continuar fazendo. – confortei-o novamente tentando mostrar que não havia o menor problema.

– Não encostei seus lábios sujos em mim de novo. – tentou apertar ainda mais a peça de roupa. Parecia que a minha proposta tinha incentivado a crescer ainda mais.

– Naruto, eu não sei por experiência própria, mas li em um livro que se o falo ficar duro por muito tempo, pode machucar se nenhuma medida for tomada.

– Para de chamar essa porra de falo! – rosnou raivoso. – Já disse que não quero nada, deixa o meu pau em paz! – em seguida, gemeu doloroso. Parece que a rigidez já estava trazendo a dor.

Me aproximei, agachei entre suas pernas e retirei suas mãos do local. Ele tentou resistir mais um pouquinho, mas quando abocanhei, ele parou. Com muito esforço, mas parou. Senti suas coxas tremerem nas minhas bochechas. Olhei para o seu rosto, e ele estava horrorizado e aparentemente derrotado, como a face dos bons Shinobis vencidos em guerra, tudo ao mesmo tempo. Mesmo ele sendo expressivo, sempre confunde as minhas distinções.

– Se estiver muito nojento, pode fechar os olhos. A dor logo vai passar, e eu logo sairei daqui, tudo bem?

Ele não respondeu e não se mobilizou da posição que estava. Apenas ignorei e continuei fazendo o que estava a fazer.

Voltei a analisar a estrutura, o tamanho que se modificou tão intensamente, o quão quente estava e o gosto novo que passava a surgir. Com toda a vontade, suguei tentando imaginar como seria se ele se desfizesse pela temperatura, como açúcar em caramelo. Umidificou meus lábios, seu membro estava ainda mais molhado, não exatamente pela saliva, mas o novo gosto surgiu quando seu pênis excretou um líquido agridoce como o cheiro do falo, antes. Seu quadril tremia muito, suas coxas passaram a se debater com êxtase, mesmo que controladas, o fluxo de movimentos era muito, parecia estar com frio. Impossível, seu corpo estava muito quente.

Em pouco tempo, uma torrente viscosa invadiu a minha boca, escorrendo um pouco pelo canto. Fui olhar o que era, e o líquido era branco com um cheiro forte de suor. Olhei a face do Naruto e ele parecia enojado. Não entendi porque, aquilo não era nojento, e pelo que li nos livros, parecia ser uma ejaculação, algo perfeitamente normal nos falos duros que voltavam ao normal por método de estimulação. Observei o pênis, ele voltou a ser exatamente como era. Achei legal, apesar de ter um pênis e ter visto mais de mil, nunca tinha realmente observado um duro ficar mole e vice versa.

Fiquei um tempo digerindo o ato, foram todas as emoções atualmente conquistadas de uma vez só.

Limpei meus lábios com língua e dedos. Não era o falo, mas pedaço dele estava agora dentro de mim de uma forma nada abstrata, como desejei.

Naruto se levantou e arrumou suas coisas. Afirmou que essa sem dúvida seria a última vez que algo do tipo aconteceria. Assenti com a cabeça sustentando o sorriso tão ensaiado no rosto. Apenas vi-o partir.

Depois de uma semanas, muitas missões cumpridas; não aprendi, mas revivi um sentimento antigo que tinha me esquecido. A saudade. Como um ninja de guerra ou contratual por morte, tornar-me um simples “escoteiro” – que era o que mais pareciam as missões classe A para minha experiência –  dificultou a execução do meu hobbie. Ainda tenho os livros, mas desde o pênis do Naruto, minha obsessão por falos aumentou, e torna qualquer outro passatempo insuficiente para o meu entretinimento. Se eu pudesse contemplar Naruto novamente…

“Esse cara é um pervertido mesmo”, um sussurro vindo do meu quarto.

Corri para ver o que se passava, e era nada mais nada menos que Naruto fuçando os meus desenhos no varal.

Até eu me assustei, até então não tinha notado o conteúdo das minhas artes. Inconscientemente eu tenho reproduzido o falo do Naruto em diversas performances, desenhei e pus para secar sem perceber.

Não me atrevi a olha-lo, não que eu me importasse, mas estender tudo isso só seria  mais cansativo.

“Por favor, se esse quarto não é mais seu, não entre pra fuçar as minhas cois…”, cortei a fala sacando minha espada, seu chakra se aproximou rápido que achei que ele ia me atacar, até sentir um ponto de pressão macio nos meus lábios. Uzumaki Naruto me beijou.

Não sabia o que estava sentindo, então não arrisquei expressão nenhuma.

– Abaixa isso. – Puxou minha espada e a jogou no canto.

Voltou a me beijar. Realmente não sabia o que fazer, sentir, expressar, então só acompanhei os movimentos.

Ele tirou minha camisa e senti frio, mas mantive minha face serena. Se eu começasse a calcular as expressões, não ia conseguir analisar mais nada. Beijou meus mamilos e senti um formigamento nos bicos e uma queimação no dorso. Naruto parecia feliz em estar fazendo aquilo, então permaneci imóvel. Ele deslizou a língua na minha barrida indo direto ao umbigo. Lá fez movimentos circulares, me fazendo sentir uma espécie de… Cócegas? Mordeu meu baixo ventre de leve, olhou pra mim sorridente, então sorri de volta. Ele pareceu se irritar, mas não tinha nada que eu pudesse falar, porque não sei o motivo da irritação. Voltei a ficar quieto.

Abaixando o zíper da minha calça, meu pênis saltou ereto pra fora. Naruto fez uma cara de confusão e ironia, acho que talvez estivesse se sentindo um pouco desconfortável com a situação.

– Está tudo bem? – Talvez fosse melhor saber direto da fonte como ele estava se sentindo.

– Sim… – Olhou pro lado desconfortável. – Não é atoa que zoava o meu pênis… – Deu um sorriso forçado, daqueles de quebra de tensão.

– Não se preocupe com isso. – Sorri acariciando seu rosto.

Ele sorriu de volta e pôs a boca devagar. Estava na cara que era a primeira vez pelo medo dele em ter dividido a contemplação em partes. Como eu com seu falo; primeiro o cheiro, depois a língua, por último a sucção. Mas no caso dele, aparentava mais um ninja checando terras.

Em pouco tempo, Naruto já me sugava que era uma beleza. Provavelmente gostou, como eu com o dele. Será que ele me deixa fazer nele depois? No fim eu peço.

Com uma formigação boa e bastante intensa, senti meus músculos inferiores se contraírem, eu estava tremendo tanto que ficar de pé incomodava bastante. Naruto pôs o pênis dele pra fora e iniciou uma acariciação. Eu ia pedir para ele não fazer, porque eu também queria, mas quando arrisquei dizer algo, saiu gemidos arfados de mim. Não adiantava segurar a respiração, eu estava ofegante porque comecei a sentir o meu corpo exausto, mas o gemidos eu só conseguiria segurar se não falasse nada.

Rapidamente, tudo que eu sentia parou em uma só cortada, mas minhas pernas ainda tremiam e meu corpo ainda estava com leve exaustão.

– Só volto a fazer se você gemer para mim. – Disse Naruto se afastando.

Ele acariciava o falo com convicção enquanto me olhava, a queimação entre as minhas pernas voltaram, aquela cena era muito bonita de se ver.

– Se eu gemer, o Naruto-kun permite que eu acaricie o delicado pênis dele depois?

Uma veia saltou de sua testa, a face completamente irritada, até era possível ouvir ranger de dentes.

– Idiota.

Sua face amenizou, mas permanecia rubra. Voltou em um só pulo para o que fazia em mim. Como combinado, parei de segurar os gemidos, mas me policiando para que não fossem tão altos. Em pouco tempo senti meu corpo chegar em um ápice e em espaços fragmentados de tempo, meu ventre contrair. Também senti umas leves contrações retais e meu falo umidificar com algo líquido que saia de mim. Parecia que eu estava fazendo xixi, mas do contrário, não podia segurar. Era aquele líquido branco.

– Saiu um montão comparado ao seu, né Naruto-kun? – Limpei o canto de seu lábio que escorria. – Deve ser pelo tamanho brutalmente diferenciado. – Sorri recolhendo um pouco da amostra e provando se tinha o mesmo gosto.

– Eu realmente te odeio. – Disse Naruto sorrindo.

Meu sabor era mais ameno, tinha quase não tinha gosto. Como diz o ditado, os perfumes mais concentrados se encontram nos frascos menores. Não falei isso para ele, porque se irritava por ter um pênis delicado e bonitinho.

Na próxima rodada, aproveitei, e quase todos os dias a contemplação era executada.

Minha obsessão por falos perdeu a pluralidade.

Superficial?

Não era de se surpreender que sangrasse. O tempo estava seco, o chão coberto de atrito devido a areia que impregnava, e, sem esquecer o principal detalhe, a força de Krystal era sem dúvida maior que das outras crianças da sua idade. Isso quando ficava brava, claro. O motivo, como sempre, era bobo. Ela de fato nem estava emburrada, mas ainda sim foi impulsiva ao empurrar Luna no chão após uma estúpida discussão iniciada pela ruiva sobre quem subiria no balanço primeiro. Não que Krystal fosse tão egoísta a ponto de derrubar a amiga no chão fazendo-a machucar o joelho de tal forma com o clima propício a sangramentos e traumas que lhe gerassem cicatrizes – ainda que pequenas e ralas – propositalmente. Mas Krystal tinha uma mania muito feia de estressar com tudo e particularizar tudo.

Mesmo que com poucos, apenas nove anos, ela tinha inteligência o suficiente para saber controlar o seu emocional. Sem dúvida passou da fase de gritar por doces no supermercado na hora de fazer compras, isso há tempo não era problema para seus pais. Ela era uma mocinha, em três anos entraria na puberdade; tinha pleno conhecimento de como se comportar como tal. Então por quê? Por que sempre que discutia com Luna acabava atingindo-a de alguma forma?

– Foi culpa sua. Você sabe que os menores tem que ficar por último, e eu sou um palmo mais alta que você. – Encarava Luna de braços cruzados com um olhar de reprovação ao ver a amiga se segurando para não chorar com o joelho levemente esfolado. – Quem não segue as regras, dança.

Suspirou e estendeu a mão ajudando a menina a se levantar, guiava-a até o banquinho mais próximo. Retirou um lenço branco do bolso da saia e secou o machucado da amiga com a pouca ternura que lhe restava.

– Vem, eu te ajudo a ir até sua casa. – Apoiou a mais baixa em seu ombro e foram andando lentamente, devido aos passos mancos da menor.

Krystal era sempre explosiva porque apesar de saber se portar socialmente, a história era diferente quando se tratava de amigos. Luna era sua única amiga, e Krystal nunca teve outros anteriores a ela. Sabia se comportar no shopping, na escola, no trabalho de sua mãe. Sabia etiqueta com os adultos, mas não com as outras crianças. Nem fazia questão. Desde a primeira vez na escola, nunca fez diferença para a ruiva estar acompanhada de amigos ou não. Luna só se tornou sua amiga porque era filha da colega de sua mãe.

“Por que não dá um abraço nela?” foi o que sua mãe disse quando a colocou frente a frente com Luna. Elas tinham uns quatro anos.

Krystal sempre teve personalidade forte. Se ela não quisesse se aproximar de Luna, não teria o feito.

“Muito bem. Espero que sejam amigas agora.”

No fundo só tinha abraçado porque, como ela, a menina parecia ser socialmente frágil. Tinham algo em comum.

Era um costume para Krystal encontra-la aos finais de semana para brincarem. Hoje, por insistência de Luna, foram ao parquinho.

– Por favor, é ali ao lado. Estou com saudade de balançar!

– Balanço? – Krystal disse com deboche. – Que coisa mais boba! – Afirmava com um ar superior, como se quisesse ser mais adulta.

Não era o primeiro episódio, e de longe aquele seria o último. Era quase parte da personalidade da Krystal agredir a amiga por pouco. Esquentava-se com tudo, sempre perdia o controle da situação e nunca pedia desculpas. Para que? Luna nunca reclamava.

No fundo, e inicialmente, Krystal temia que no dia seguinte Luna não batesse a sua porta a chamando para brincar. Mas, posterior às brigas, sem falta, estava Luna com um grande sorriso dizendo “Bom dia, Krys.”, e o abraço nunca faltava. Talvez pudesse tudo por só ter ela com quem conversar.

Tudo durou até Krystal decidir que queria porque queria o urso da loira.

– Pode brincar com tudo, menos com ele! – Dizia a loira puxando o objeto das mãos fixas de Krystal.

– Eu sou visita! Você tem que ser cortês e me deixar brincar com o que eu quiser!

Luna oferecia todos os brinquedos que tinha na casa, mas nenhum deles era o urso, e Krystal queria brincar com o urso.

Irritada, puxava o urso das mãos da menor afirmando que se ela continuasse com o egoísmo, não voltaria a sua casa nunca mais. A loira implorava para a ruiva soltar com uma voz angustiada, até que em uma puxada brusca da outra, sentiu seu ursinho rasgar em suas mãos.

– Droga, Luna! Olha o que você fez! Por que não me deu para brincar? Ele estaria inteiro e eu feliz! – Fez bico cruzando os braços.

Luna não falou nada, apenas juntou a cabeça no corpo do ursinho tentando inutilmente conserta-lo. A cena deixou Krystal ainda mais irritada.

– Está rasgado! Não adianta ficar unindo as peças. – Levantou-se e foi em direção à porta. – Depois pede para a minha mãe remendar. Vou embora, até amanhã.

Foi como se nada tivesse acontecido. Costume.

No dia seguinte, Luna não veio lhe ver, nem no seguinte, e seguinte. Luna não frequentava mais a casa de Krystal, e quando o contrário, pensava consigo que era muito feio se convidar, isso era coisa que só a Luna fazia, e não ia convida-la, ela que viesse ou a chamasse.

Mas o tempo foi passando, e Krystal refletia o quão solitária tinha ficado. Não solitária com falta de alguém, mas com falta de Luna. A doçura, seu cuidado e paciência, a personalidade da loira tinha se essencializado em sua vida. Como a presença da outra ficou tão precisa? Não era só um passatempo? A filha da colega da mãe que gostava de brincar com si? Não era isso que sentia. Única coisa que martelava sua cabeça era a dor que lhe ensinava uma dura lição.

O ser humano… Tão vulnerável a aprender através do sofrimento, perdendo algo para saber o que é ganhar.

Se deprimiu por um período de tempo. Temia encontra-la e ser maltratada pela mesma, ou ouvir da boca da própria que jamais seriam amigas de novo. Isso provavelmente seria um corte profundo na garganta, até pior que os arranhões que ainda estavam presentes no joelho de Luna pós-empurrão.

Quando completou 10 anos, tomou uma atitude que de todas foi a mais difícil de sua vida. Iria reencontrar Luna. Não sabia como agir, falar ou até respirar. Tentava ensaiar o que aconteceria, mas estava tão nervosa que apenas contribuía para mais sofrimento.

Falando em sofrimento, como foi sofrido o percurso para a casa de Luna! Krystal não parava de sofrer de forma prévia. A culpa a consumia de tal forma e a necessidade que tinha em ter Luna novamente ao seu lado era tanta que até gripe acreditava estar contraindo.

Com o coração afoito, encarou seus medos. Encarou-os em nome de algo maior, ter a amiga de volta. Lágrimas caíam do rosto até o caminho da porta. Limpou-as bem antes de apertar a campainha, mas elas não paravam de cair. Chegou a tão esperada hora.

Cada estalar da chave na fechadura, dificuldades de girar a maçaneta emperrada, todos os suspenses contribuíam certeiramente às batidas fortes no coração que dificilmente se acalentaria até o fim da história estar assinado. Segurava o choro de pânico que já enrugava seus olhos infantis.

E com um empurrão, abriu-se a porta e, surpresa, a pequena esperava do outro lado abraçando seu urso completamente remendado.

Krystal olhou para o brinquedo nas mãos da pequena e seu choro desabou. Luna entrou em choque rápido, por que a menina chorava assim? O que deveria fazer?

– Luna, por favor, me desculpa! – lambuzava-se com as costas das mãos tentando limpar seus olhos molhados e nariz sujo que só se espalhavam com a expressão.

Apertava seus olhos e tentava bloquear mentalmente os ouvidos aguardando os possíveis ataques que levaria, também, por via das dúvidas, protegia o peito de seus pés afastando-se caso a loira batesse a porta. Tremia tanto que sentia sua pressão baixar. Por via das dúvidas, preparada como sempre, mantinha os joelhos levemente dobrados e pernas meio separadas em caso de desmaio. A angústia a consumia tanto que não distinguia mais tempo; mesmo que segundos tivessem se passado, para ela já esperava a reação da amiga há horas.

Com um toque leve, sente seu ombro ser pressionado. Olha para cima ainda cobrindo o redondo dos olhos, Luna mostrava aquele sorriso simpático sincero que esbanjou na primeira vez que se viram.

– Não vou desculpar, porque não existe culpa alguma. – E então a abraçou.

Era a segunda vez se abraçavam.

Mudanças e descobertas

Com ela, inicialmente, o poder de raciocínio fluiu. Não era como resolver os deveres de matemática em que tinha uma fórmula pronta para tudo, ou uma aula de história na qual o livro tudo dizia – na cabeça deles, é claro. Ela incentivou o poder de refletir e questionar naqueles cérebros completamente mecanizados por um sistema de ensino que até então era… Chato. Artes tornou-se a matéria favorita.

Ela não era apenas uma professora, Senhorita Kwon sabia se comportar como um ser humano, tratava seus alunos não como suas obrigações, mas como seus direitos, eram pessoas com uma vida, como ela. Fazia questão de mostrar a todos que não era a mais sábia, ou que estava sendo paga para transmitir conhecimento, estava sendo paga para aprender juntamente com todos iniciando debates propostos por livros e fontes pesquisados por cada aluno presente. Quando um tema levantado por ela, difícil algum aluno, ou qualquer outro cargo estudantil, derrubar.

Começou a dar aulas de teatro e desenho incentivando atividades extracurriculares. Pela primeira vez em cinco anos, a escola tinha algo produtivo a oferecer para aquela gente.

Ela gostava de filmes, livros e quadrinhos; a cultura oriental a encantava, nada daquele falso patriotismo, ela realmente amava o que o rico oriente oferecia. Através da sua sincera adoração, pensamentos eurocêntricos entre outros alvos de consumo selvagens capitalistas foram quebrados; sabia que os Estados Unidos não são os únicos a produzirem cultura? Questionava a globalização que aproximava a cada dia todas as culturas em uma só, perdendo tesouros culturais de forma obrigatória.

Apaixonada por ensinar, ofereceu-se para tutelar as aulas de reforço dadas na escola. Proposta como clubes culturais de incentivo à educação fora da sala de aula nunca foi tão bem sucedida. Senhorita Kwon transformou um espaço de notas, trabalhos e pressão em um local de produção, criação e discussão. Crianças robôs em humanos pensadores.

Um dia uma aluna entrou em sua sala por engano e espantou-se com o que viu. Senhorita Kwon estava passando por uma metamorfose dolorosa. Suas costas com cavidades despejando sangue, seus lábios conjuravam palavras inaudíveis, mas ainda sim os vidros em volta se quebravam, a dor estava mesmo insuportável. Mais perto, a estudante com medo se aproximava para saber o que acontecia. Nos buracos que sangravam tinham duas películas, mas não pareciam lâminas ou coisa assim, estavam saindo, literalmente dentro pra fora. Sem saber o que fazer, apenas catou os lenços que encontrara na gaveta e passou a tentar estancar aquele vulcão em erupção sanguinolenta. Tocando suas costas, a aluna reparou que eram asas, tinha asas saindo do corpo da professora. Mas que metamorfose era essa? A aluna pensou.

Procurando no fundo de seu cérebro, a biologia do homosapiens não permitia o nascimento de asa, não fazia parte da constituição humana. Imaginou que talvez fosse uma doença, ou que Senhorita Kwon fosse uma aberração da natureza. Independente do que fosse, a aluna tentaria ajudar a amada professora da forma que fosse mais conveniente para ambas.

Foram quatro horas de dor para as asas se expelirem, a professora estava fraca, totalmente largada no chão, com apenas a cabeça no colo da aluna que presenciava aquela cena de tensão até o fim. Quando finalmente fora, as asas começaram a brilhar, era um tom verde florescente; os cabelos da professora mudaram de cor, agora eram laranja e moldaram um penteado perfeito, a pele de Senhorita Kwon estava viscosa, sem vida pela quantidade de sangue que perdeu, mas um fleche de luz dourada começou a cobri-la inteira. Quando no fim, as íris e pupila sumiram. Senhorita Kwon estava gelada. A aluna chorou, sua amada professora estava morta.

Crente que a metamorfose tinha sido um fracasso, criou coragem para pedir ajuda. Gritava aos três ventos a sua dor, o que seria daquela escola sem Senhorita Kwon e o que seria sua vida sem a própria vida? Formou uma multidão.

No aposento, nada se encontrava, Senhorita Kwon tinha sumido. Seria fruto da imaginação fértil da aluna? Todos se foram zangados. A menina não entendia, procurou a professora em todos os cantos da escola, mas ela realmente tinha sumido.

Depois de uma semana, todas as aulas voltaram a ser como antes, apenas obrigações, decorar não questionar, essa era a lei do sistema. Temos de buscar o sucesso através da profissão, não buscar ser um bom profissional para o sucesso perseguir, isso era fantasia. Ora, mas fadas também não são fantasia?

Neste devaneio, um bilhete cai em sua mesa. A caligrafia era conhecida, mas inacreditável. “Agora é a sua vez”, estava anônimo, mas o remetente vinha do mundo da fantasia, que, como a educação proposta por Senhorita Kwon, se antes era fantástico agora passa a existir. Porque essa aluna vai fazer existir.

Suas costas começaram a doer, a dor nunca foi tão bom sinal.

Jung nunca mais veria sua Senhorita Kwon, mas se tornaria como ela. Mudanças e descobertas não poderiam ser melhores.

A dependência dos signos para a liberdade da civilização

Relia a mensagem sem parar. Isso não podia ter acontecido. Não parava de apertar o F5, conforme nada atualizava, lágrimas caiam de seu rosto. Sunyoung estava no metrô, aos prantos. Tentava se segurar ao máximo, mas era inevitável, seus soluços eram incontroláveis. As pessoas iam reparando, aos poucos, notava-se uma pequena multidão de par de olhos discretos mirando-a com diversos julgamentos enquanto sua vida se destruía naquele momento, em frente a uma mensagem de texto.

“Te amo, por favor. Eu realmente te amo. Por que faz isso comigo? Por que comigo?” era o pequeno texto que já se passava do 100 no click de envio.

Sunyoung não saía do estado apresentado. Passou-se quatro horas, e não se movia.

Já era 6h15 quando notou. Na verdade, não notou. O homem da limpeza despertou-a do transe avisando-a que o último trem havia chegado. Rudemente disse a ela que o pegasse, ou desse licença para que pudesse terminar a limpeza.

Se sentiu inútil.

Ainda mais.

“Mamãe, onde estava?” a primeira coisa que ouviu quando finalmente chegou. Sua filha, Jinri, de sete anos estava sem comer há mais de seis horas.

“Se incomodaria se eu fizesse miojo hoje, de novo?” tentou forçar um sorriso. Seu bebê balançou a cabeça negando, sorriu em seguida, mas, contrário ao seu, era justo.

Se sentiu inútil.

Ainda mais.

Dormiu com os olhos abertos, pregados no visor da tv. Não assistia nada, sua cabeça estava em outro lugar. Sonhando, talvez. Pesadelos a perturbavam, as piores cenas de sua vida se passavam em sua mente. Acordou num estalo e começou a chorar. Não sabia o que seria de si. Não tinha a menor ideia de como planejar se portar diante do juiz quando este carimbasse sua certidão de óbito disfarçada. Sunyoung não queria, nem podia se separar. Não agora que entregou tudo que tinha para um bom relacionamento cristão, não após ter se tornado uma só carne, com frutos que apodreceriam, certamente, perante a situação. Tentava procurar modos, soluções, nada existia. Todas as queixas lineares de violência doméstica, conforme os devidos anos tinham sido revogadas; já gastara o último cheque de empréstimo para manter o apartamento caro que seu marido insistia em querer morar, mesmo que já não pudessem mais pagá-lo há quase um ano; colocou sua filha em uma creche municipal marginalizada, por ser mais perto para sua babá, que ainda mantinha realmente por não poder busca-la depois do trabalho a tempo. Gastos básicos, bem-estar, Sunyoung suspendeu tudo para manter seu casamento pelo menos até sua filha atingir maioridade. Era só mais nove anos, Sunyoung aguentaria firme por sua filha, todos diziam que crianças só podiam ser totalmente felizes se tivessem mãe e pai. Mas quem não queria não era ela.

Quando finalmente seus olhos pregaram de cansaço, sua filha Jinri chegou animada pulando na cama da mãe gritando contente para que a mãe acordasse. Já estava na hora da escola.

E da sua forca também.

Chegou em casa 18h15, tivera de dar miojo a filha novamente. Não conseguia raciocinar.

Preferiu não dormir, ficou a noite inteira assistindo tv para mantê-la acordada, estava com medo de desmaiar e perder a respiração no meio da noite. Parecia tentadora a ideia, mas Jinri ainda existia em sua vida.

Sunyoung não produzia mais o suficiente para seu trabalho, se passou um mês e sua filha só se alimentava mal em casa. Perdeu o medo, por obrigação, de deixar a filha ir para a creche de ônibus escolar, cortou os serviços da babá. Não sabia se 80.000 wons(154 reais) ajudaria em alguma coisa, mas botou na cabeça que todo corte era bem vindo.

O tempo passava, mas seus olhos não saíam do visor das mensagens de meses atrás. Chorava diariamente abraçada aos papéis do divórcio e refletiu o quanto os signos eram significativos na sociedade. Acreditar que uma nota com maior número de zeros escritos determinava onde você moraria, o que vestiria e o que tinha permissão de ter. A palavra tinha poder sobre suas ações, sentimentos; ler “eu te amo” num visor de celular era capaz de trazer a si as mais sórdidas lembranças. O fato de poder estar bem até um pedaço de papel escrito por uma pessoa que não sabe seu histórico de vida determinar com uma assinatura feita a caneta comum que você está mal. Não se é livre sem que exista um papel alegando o tal, não é feliz se não dizem na mídia ou na vizinhança – manipulada por aquela – que é feliz.

Sunyoung não era dona do seu corpo, nem nunca fora. Ela não conseguia parar de sofrer quando mais queria, nem conseguiu manter rígida a estrutura que a sustentava mais. Todo o sofrimento que viveu foi por alguém, e se vivia, era por outro alguém. Era uma propriedade estatal; como permitiam por lei que pudesse casar e ter filhos, também lhe assegurava tira-los quando eventos independentes de sua vontade ou até ações ocorressem.

Jinri não merecia a anemia que conquistava. Sunyoung teve vontade de se destruir ao ler o laudo médico da filha. Aos prantos tentava se acalmar, não havia passado pra viver, e agora nem presente. A fuga parecia impossível. O conselho tutelar aconselhou a mãe a procurar tratamentos psiquiátricos, já que estava interferindo no bem-estar da filha, dependendo dos resultados, se fosse algo insanável, perderia a guarda da única pessoa que tinha na vida. Jinri precisava de cápsulas caras de ferro pra poder melhorar, fora uma alimentação rica que a mãe não tinha o menor tempo de proporcionar. Abriu mão de sua preciosidade pelo bem de todos. Todos não. Sunyoung nunca estava inclusa no lado do bem. Ela não queria deixar sua filha, mas foi forçada a se render. Deu a aguarda de Jinri à avó.

No meio da terceira noite, não aguentou de saudade e foi buscar a filha na madrugada. Quando chegou, conversou com a mãe, foi ao quarto da filha para leva-la pra casa. Ao ver Jinri, mesmo que em três dias, ela estava diferente, com cabelos brilhosos, lábios e bochechas coradas. Dormia feliz. A anemia tinha visivelmente melhorado em um espaço tão curto de tempo. Novamente, o bem estar de sua filha não dependia mais de sua vontade. Foi embora de mãos vazias.

Ao chegar no apartamento, olhou em volta e apenas correntes de ar chocavam contra sua visão. Observou cada móvel que conseguiu recuperar desde a última mudança. Tudo lembrava seu passado inacabável, tudo lembrava o quanto ela pertencia ao meio, lembrava que a mesma não tinha autonomia alguma sobre si. Ela era o que esperavam, se não esperavam, não era nada.

Não bastava ter sentimentos sinceros e entregar-se por completo ao marido, amar sua filha incondicionalmente ao ponto de suportar os piores anos de sua vida na esperança de que um dia tudo acabe e possa ser feliz; escolher cessar o choro quando não tem condições de ser infeliz, porque todos diziam que ela não poderia ser infeliz, que ela não podia chorar, que não podia passar momentos ruins em sua vida. Ela tinha que ganhar papéis, assinar papéis, analisar papéis que decidiam o que ela pode ou não pode ser. Todo passo que desse: uma autorização, conselho ou qualquer outra forma de diálogo deviam interferir, seja as pessoas que um papel a capacitasse para isso ou não. Era uma liberdade social que valorizava mais os signos – algo proposto pelos civis para representar as pessoas – do que as pessoas.

O final sem fim

Victoria estava sonhando. Aquela cena não podia ser real. Como poderia estar assistindo o enterro de si mesma?

Olhava as pessoas chorando a sua volta, não sabia como agir. Tinha vontade de gritar “parem com isso, estou aqui, na frente de vocês!”, mas ninguém nunca a ouviu, não era agora, justamente em seu enterro, que a escutariam.

Nunca gostou de enterros. Não tinha ido nem ao velório de seu pai, a pessoa sem dúvida mais importante de sua vida, porque teria de ser obrigada a ver logo o próprio? Aquilo não estava nada certo.

Lembrou-se de seu pai automaticamente, posterior à própria reflexão. Pensou na rotina que teve dos cinco aos treze, seu pai era um cinéfilo assíduo, herdou essa cultura dele. Passaria a frente se tivesse filhos ou estivesse viva, refletiu novamente.

Recordou como eram divertidas as conversas com seu patriarca. Quando seus pais se separaram, ela tinha cerca de oito anos, a presença do seu pai permanecia, sua rotina de segundas no cinema da esquina, apenas ambos assistindo um clássico filme de arte qualquer imposto pela sala alternativa, cinema grátis, cultura pedante do governo. Amava os debates que ambos faziam juntos no fim. Ela sempre tinha perguntas e ele respostas.

Quando fez 13 anos, seu melhor amigo e progenitor faleceu. Sua mãe disse que tinha tido um colapso misterioso. Mas ela sabia que não. Suicídio… O último filme visto anterior ao mistério foi Fale com ela, lembrou-se da fala do enfermeiro “somente assim estarei com ela”. Ela, a morte. Ao contrário de Victoria, seu pai sempre foi apegado ao mórbido, à inexistência enquanto ser.

Olhava as fotos, ficava nostálgica quando em vida. À memória, o momento que menstruou pela primeira vez. A quem recorreria? Não confiava na sua mãe como no seu único amigo. Lembrava-se das conversas infantis que tinham… Como criança adora perguntar! Pensou ao lembrar quando perguntara o porquê das coisas serem como são pelo menos umas 300 vezes em um único dia.

Em casa, após a notícia de sua morte, tocara o que não podia compor, praticamente detonava as teclas do piano. Mais do que cinema, música era sua paixão. Após sua sonata individual, nunca mais compusera nada, sequer tocara em um piano novamente.

Tentou ser firme diante do próprio enterro. Cadê seu melhor amigo, do qual nunca morreu em seu coração? Hoje era um dia feliz, não era? Por que não conseguia ver o seu pai? Ambos não morreram? Não eram dois suicidas? Ele mentiu em dizer que sempre estaria a observando, não importa o que acontecesse? Tinha vontade de chorar, mas não tinha lágrimas por não ser feita por átomos como tudo que é concreto.

Ela sabia que findar minha vida não traria felicidade, mas nunca imaginou que não cessaria sua dor. Aumentaria.

Síndrome de Estocolmo

Rotina, o que dizer de uma vida parcialmente considerada normal? Digo, como todos os outros, sou visto como uma máquina que contribui para o PIB  econômico de um país, sou visto como mais um na multidão, o tratamento social que me dão quando estou doente é como o de todos os outros. De nada sou especial, de fato ninguém realmente é. Claro que tais fatores são indiferentes a familiares, eles se preocupam, ou veem como obrigação de se preocupar, com o isolamento que proporciono a mim mesmo. Solidão, ela me define, por ela sou apaixonado e desde que a conheci estou preso a ela. É duro admitir, mas não consigo dizer adeus às sensações angustiantes que esse comportamento violento que o “só” me traz. Carrego sonhos, esperanças, histórias, aventuras, reflexões, mas somente em nota os deixo, não sou capaz de romper com o meu relacionamento, um amor quase ágape ao ermo. É uma droga, um vício. Compreendo a minha vizinha. Há três anos ela apanha do marido de uma forma sórdida. O amor que ele proporciona pra ela chega a ser grotesco, varia de hematomas no dia seguinte a abortos espontâneos a cada três meses. Não é como se ela gostasse, mas como eu, o sofrimento é uma impotência que faz parte da nossa constituição. Pelo ditado, a esperança morre com o ser que a possui.

Hoje volto de mais um dia de trabalho. Diferente dos meus colegas, não relaxo em grupos vagos pelos bares. A solidão me parece muito mais sensual. Ela diariamente me convida para relaxar com uma taça de um bom vinho escutando um pouco de jazz e r&b numa vitrola, herança de minha falecida e eternamente amada avó que me criou até os doze, e fazendo um diário mental do que se passou por hoje, concreto e abstrato. Antes de dormir, faço notas em um caderno, como resumo ou partes importantes que tenho vontade de recordar. Transcrevendo o diário mental, escuto minha vizinha gritando e chorando, implorando para o marido parar de agredi-la. Não chamo a polícia. Ela não gosta de visitas judiciais. Apenas respeito e ignoro como ela deseja. Termino as notas e vou dormir.

Também gosto de sonhos. Astrologia, religião, misticismo, tudo isso me fascina. Sempre leio horóscopo no jornal na hora do café.  Compartilho os meus sonhos com o meu colega de trabalho Yixing e ele parece realmente adorar. “Você conta histórias tão bem de um jeito original, por que não tenta escrever?” era o que sempre dizia, como um bordão, sabe? Original… Não há romance mais original do que o primeiro. Depois do primeiro, todos são meras cópias. Como a mitologia, mesmo que diferente, é tudo igual. Original, essa palavra me irrita.

Hoje é terça. Volto mais cedo do trabalho pelo atestado, tenho consultas com um psicanalista, quase que obrigatoriamente. Ele considera os meus problemas emocionais muito sérios, mas explico a ele que não me incomodo com as coisas que sinto. Nunca admiti pra ele que a solidão apesar de bela, é algo que consome o meu ser de forma gradual, porém bruta, e que me preocupava com isso. Gastava do meu dinheiro, tempo, mas se o único problema é a solidão, não quero me livrar dela, mas mesmo assim devo satisfação à esperança.

Como tenho muita vontade de conhecer coisas novas e a esperança de que um dia a solidão me liberte, tenho aulas de inglês às sextas feitas e junto dinheiro para fazer viagens. Nunca fiz nenhuma. Não me sinto preparado para sair daqui. Minha cúpula é tão quente…

Final de semana é um período que me atrai. Mesmo também rotineiro, agracio-me com as aventuras e vantagens de ser solitário. Sábado a tarde alugo um filme, resenho-o e guardo as impressões da máquina em uma pasta grande de arquivos. É uma delícia relê-los um tempo depois. Também tenho o hábito de re-assistir filme em um período de tempo para comparar as atuais ideias. A noite, gosto de ver um filme de sadismo vintage no computador, masturbar-me um pouco e então dormir. Não faço notas nos sábados porque minha vizinha não costuma estar aí. Sábados ela costuma dormir na casa da sogra. Sinto um pouco a falta da presença dela, então me deprimo e durmo cedo para que o dia acabe o quanto mais rápido. Domingo, é o único dia que exijo acordar cedo a fim de conseguir passar na banca para comprar um clássico de bolso. Amo livros de bolso, tenho uma estante enorme que renovo a cada três meses. Não descarto como meros objetos, costumo guardar os que me marcam – geralmente clássicos – e doar a uma biblioteca que fica no centro os contemporâneos que não me atraíram a ponto de me apegar. Quando se é solitário, sente-se falta de objetos e momentos passados, mesmo que inúteis. Vou a um Café, tomo cappuccino e leio um livro novo recém-aberto enquanto acaricio um gato de rua. As aventuras propostas pelos livros não se comparavam aos que os filmes tentavam mostrar. Acordando cedo, também dormia cedo aos domingos. Tenho um esquisito ritual, que infelizmente já fazia parte de mim, de deitar no sofá em companhia a um lenço da única garota que amei, fungá-lo e chorar até que perdesse a consciência. Minha história com essa garota não é algo fácil de contar, primeiro porque ela nem sequer sabe que eu existi e segundo porque na minha versão da história, tivemos uma vida super feliz. Não é fácil ter Síndrome de Clérambault.

Da última vez que a recordei, tentei me matar, mas não morri. No fundo eu queria viver. Não. Só achei que não faria sentido me livrar da solidão morrendo com ela.

Vou a uma venda, compro um cianureto, porque desta vez a overdose não terá erro. E também, morte por cianureto é clássico, lindo, e original. No sentido real da palavra, não no que irrita.

Bato a porta da vizinha, seu marido não está lá. Quem atende é a própria, com o rosto coberto de hematoma. Lhe mostro o vidro com veneno, ela logo entende.

Deitados nos almofadões indianos, a deixo refletir. Pergunto se está preparada, ela afirma que sim.

– HYOYEON!

Escutamos gritos no teto da casa. É meu vizinho, vendo se a esposa está presente.

– CADÊ VOCÊ, SUA PUTA?

Ela começa a chorar. Disse a ela que não precisava fazer isso se não quisesse. Ela negou com a cabeça aos prantos e disse que estava finalmente preparada para se livrar daquela prisão.

“E eu também”.

“Seu lenço”, entreguei aquele que me fez companhia por anos. Ela segurou minha mão com o pano de barreira. Ao beber o líquido compartilhado, nos beijamos. Foi como abrir sela de cadeia para condenados a morte determinados irrecuperáveis; eram cidadãos protegidos, era um doente se livrando daquilo que nem os remédios mais fortes ou a força de vontade mais branda foi capaz de recuperar. Era uma mulher que finalmente teve coragem de largar o seu homem, morrer aos braços de alguém que respeitasse a sua vontade, pela primeira vez. Era um homem capaz de livrar-se da amante que o perseguia, morrer nos braços esposa que nunca tinha existido, até aquele momento.

Adeus solidão, morri nos braços de Hyoyeon, uma pessoa igual a mim.