Cocoon

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Capítulo 2 – Importância

Não era estranho vir de uma boa família e ainda sim sofrer as piores desestruturações?

Estou falando do Tao.

Quando o conheci, era um adolescente, mas com táticas sedutoras do profissional que era. Fico me perguntando se até o último momento, fui apenas um cliente…

“O senhor precisa de companhia para esta noite?”

Não me arrependo nem um pouco de ter aceitado.

Era domingo quando eu estava na festa de aniversário de um sócio em Xangai. Não era de admirar que tantos prostitutos fossem contratados para entretenimento dos clientes naquele local, mas o que me surpreendia eram as visíveis idades de cada um. Meninos e meninas que se passavam por 20, mas tinham 15. Os sadismos que pessoas da minha classe praticavam, os prazeres que desejavam experimentar. Tudo se resumia ao que o sexo podia proporcionar. Não saberia descrever se o sexo era uma única fuga, mas era a única forma que pessoas como nós sabiam nos refugiar. Nunca tinha visto o sexo de outra forma… Na verdade, não o enxergo de outra forma. Ele é um refúgio. Mas agora, minha ideia de refúgio tornou-se peculiar, porque a pessoa que me deu o novo conceito é peculiar.

Tao dissera que possuía os sonhados 24, idade de um adulto recém-formado na faculdade em busca de emprego, ou no meu caso, administração da herança dos pais entregue em mãos, comparações feito pelo mesmo com brilho ocular ao me relatar com tamanha paixão o quanto era maravilhoso ser jovem e bem sucedido eu no meu ramo, ele no dele. Toda aquela juventude me chamou tanta atenção. Mostrava-se um rapaz contagiado pela vida, por viver e que em tal profissão buscava exatamente por isso.

“Você é casado com os prazeres, e eu sou o próprio prazer.” Era a forma que descrevia sua jovialidade e os clientes que pagavam para usufruir dela.

24 anos…Não… Demorou até que eu descobrisse que ele tinha 17. Diremos uns dois anos…

“Você tem um peito bonito” ele sussurrava enquanto desabotoava minha camisa. Mesmo que tivesse uma certa obrigação de dizer coisas agradáveis, ele mostrava uma certa alegria em fazer o que fazia. Quando despia minhas peças mordia os lábios, fazia um comentário ou outro, beijava, cheirava, mostrava uma animação sem igual. Por mais atuado que aquilo fosse, não que o fizesse mal, ao contrário, nascera para aquilo, ser paparicado daquela forma me trazia autoestima, ou me fazia por um momento esquecer os problemas que eu tinha para atender a grandiosidade de pessoa que aquele menininho de rua dizia que eu era.

Menino de rua…

A intimidade nunca foi problema para mim quando eu estava com ele. Tao conseguia construir um ambiente confortável para que eu me expressasse a minha maneira. Com ele eu não precisava ser frio, grosso ou sádico, como eu demonstrava com as garotas que transava, ou com a noiva que me arranjaram. Tiveram transas que me senti a vontade até para chorar, do tão fundo que Tao me penetrava… Emocionalmente.

“Quanto lhe devo essa noite?”

Ele me abraçava com fervor. Mirou-me rosto de baixo, apoiado no meu peito, sorriu e enxugou uma lágrima que escorria da minha face.

“Hoje é por conta da casa.”

Quantas vezes ele não me fez programas por conta da casa? Estaria sentindo por mim o que eu sentia por ele frente a situação? Gostando do momento que construímos visto o ato, talvez? Me amando? Isso martela a minha cabeça até hoje.

Por mais que tivesse um extenso histórico de vida a ser contado, ele não abria a boca. Não falava do passado ou do presente. Nunca lhe contei a minha história, mas pelo que me tornei, não era muito difícil adivinhar. Também não lhe falava do presente, porque ele o acompanhou com os próprios olhos. Tao era o meu presente; misterioso para mim, mas claríssimo para ele. E assim foi minha vida com Tao durante muito tempo. Jamais planejamos o futuro, juntos ou separadamente, porque o que nos esperava não podia ser visto em planos, plano algum.

“Por que não deixa que eu tiro?” questionou ao me ver puxando o zíper da calça. Frente a mim, ajoelhado, deslizava o zíper com os dentes, da forma mais vulgar que conseguia. Tao gostava dos excessos, era exagerado até nas doses homeopáticas, quando essas necessárias. Pensava se esse era o seu jeito, ou se sua leitura em cima das pessoas era tão cristalina que sabia exatamente do que gostavam.

“Está mais apetitoso do que nunca, gege.” Comentava se deliciando com o meu pau na boca, quase amando aquele único membro que tratava como joia. Sabia do que eu gostava sem por um instante esquecer-se do que ele gostava. Me chupar.

“Acredito.” As chupadas dele chegavam a ser mais acolhedoras do que qualquer “eu te amo” que dirigiu a mim. A experiência de viver com ele por quase cinco anos prova isso. Conforme nos aproximávamos, mais perfeccionista na cama ele se tornava. Não perfeito quesito técnica, mas de forma mais clara nos uníamos, dividíamos os sentimentos sem necessitar proferir um piu das bocas ocupadas em longos e prazeirosos boquetes que praticávamos de forma conjunta. Mais perfeitamente ele me satisfazia, mais perfeitamente construía uma noção do que tinha se tornado sexo para mim. Em pouco tempo, sexo não era mais sexo se não fosse um com o outro. Tao dependia de mim para ser jovem e eu dependia da sua juventude. Sexo um para o outro sempre foi compulsório, mas compulsório agora era sexo um com o outro.

“Não goza agora, gege. Quero aproveitar mais.” Expelia as palavras gemendo enquanto permanecia por cima de mim lambendo , puxando e empurrando com pressões labiais o pau já tão espesso por fluídos causados pela sua insistência de não largar nunca.

“Mas já é a terceira vez que goza, quando vou poder ter a minha primeira?” questionava alegremente por saber que enquanto ele sentia prazer me chupando, também estava louco sendo chupado. Não era atoa que as preliminares sempre caíam na 69, era quase um plano ou programação que nossos corpos possuíam, porque era a forma de prazer mais celestial que buscávamos em nossas transas. Eu não queria apenas sentir prazer, era essencial dar prazer aquele menino também.

Atualmente, fodê-lo, mesmo com restrições, me surpreende a cada encontro, mas a 69 até hoje não foi substituída como o prato principal dos nossos inconscientes. Homens preferindo as preliminares à própria foda… O refúgio nunca foi tão único. Nunca será.

– Posso dormir assim? – Se ajustou no meu colo ainda limpando as lágrimas que escorriam. – Se eu ficar pesado, me avisa. – Adormeceu em questões de segundo.

Um peso será se essas forem suas últimas palavras.

– Tao?

– O que?

– Nada…

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