Lareira das cinco horas

Sinopse:

“Se somos todos de uma mesma fonte, não passamos de incestuosos compulsivos, certo? Já amou um irmão? Já amei muitos, mas um em especial incomodou a diversos.”

De uma pia meio aberta, escuto gotas de água pingar. Como tais movimentos sutis conseguem me irritar com tanta profundidade? Gostaria de fecha-la, mas para isso, teria que parar de contemplar o lugar que estou, secar as minhas lágrimas e me acalmar. Sentir pena de mim é mais forte.

Admiro a sala com fervor, lembro-me de quando fazíamos sessão de cinema aos sábados, cerca de três filmes seguidos quando não dormíamos na metade do segundo, posso até sentir o cheiro de pipoca nesse instante. Não era uma família tradicional da mídia, mas era um lar feliz.

Eu sei que agora seria a hora perfeita de me apresentar antes de contar a história, mas acredito que não haverá tal necessidade. Não pretendo narrar nada em primeira pessoa, logo meu nome será citado em breve no decorrer dos acontecimentos. Escolhi este recurso porque mesmo tudo sendo ao meu olhar, já que sou o protagonista, não me acho digno de ser um autobibliógrafo, pois essa história não é minha, é nossa.

Espero que ao ler esses relatos, possa entender porque te incluo na minha vida mesmo sem sequer nos conhecermos. Digo, segundo Jesus Cristo, um grande pensador – messiânico –, com algumas adaptações e interpretações minhas, é claro, todos somos irmãos já que somos todos da mesma carne. A humana. Querendo ou não, todos temos histórias semelhantes a contar, porque todos vivemos em um mundo só, por mais diferentes que sejam as nossas realidades. O que contarei agora é de típica natureza humana, sentimento no qual você já sentiu, porque como eu você já errou gravemente.

X

Em um pequeno chalé sul-coreano, épocas de inverno, neve caindo do céu e manchando tudo que estivesse em terra, inclusive a própria, tinha uma família se abrigando. Durante os sábados, juntavam-se na sala marcando uma espécie de sessão – locando-se precisamente mais de cinco filmes a fim de não se entediarem – família com a desculpa de união. Não, era pretexto. A sala era o único cômodo que tinha lareira. Devido aos compromissos familiares, ninguém chegava em casa antes das seis horas – horário que começava a esfriar -, logo demorava a esquentar o espaço, teriam de aguardar na sala mais ou menos umas cinco horas, ou teriam pneumonia em seus quartos.

Mesmo como pretexto, todos achavam muito agradável. As meninas, Xiao Li de 17 e Lu Pen de 15, reclamavam internamente da falta da internet, o quanto gostariam de estar em casa em uma rede social qualquer ou pesquisando mitos e lendas urbanas assustadoras em sites de esoteria – a mais nova –; ou estar bebendo vodka barata com energético em uma festa enquanto se sente tentada a tomar ecstasy, tentar conquistar o menino mais mal educado da sala – porém midialmente mais belo – agora que ele terminou com a namorada, já que o importante é status, nunca bem estar – a mais velha. Estavam felizes, mas achavam felicidade – aquela que os comerciais de margarina impõem – démodé. Início da palavra “suposta” na frente de “união”. O pai da família dormia na metade do 1° filme que insistira a escolha, a mãe só fazia, trazia e levava pipoca. Nada de apreciação de “união” para eles, esse seria o fim. Felizmente, uma pessoa nesse meio acompanhava tudo e achava que aquela união era real. Lu Han, 4 anos de idade, era considerado extemporâneo em relação a sua idade levando em conta a sua inteligência. Mas sua inocência condizia com seu tempo de vivido, um alívio. Se sua família não tinha se tornado um caos, era devido ao caçula, ou se seus olhos não viam o caos, era devido a sua ingenuidade infantil.

Quando ambas as meninas da família tornaram-se mulheres, voltaram para a China. Precisavam estudar administração conforme as leis comerciais do local onde cuidariam de seu negócio, futura herança. Luhan não podia ficar sozinho, pensou seus pais. Precisava da companhia de um irmão para não crescer sentindo falta de um. Como os pais de Luhan eram velhos, não eram mais capazes de produzir. Este fato levou-os a dar de presente a Luhan um irmão não de sangue, mas de coração.

“Somos todos irmãos.” Era o que a mãe de Luhan dizia em volta a cena de seu filho legítimo com olhos esbugalhados, super impressionado com o que via, quase não acreditando, tocava os lábios carnudos da criança que mirava para ver se era real. Ganhara um irmão de natal. E não era como suas irmãs, grandes e com aparelhos urinários diferentes dos seus, era como ele, uma criança e do sexo masculino. Era alguém menor, aparentava ter cerca de 1 ano. Automaticamente, Luhan sentia vontade de protege-lo. Aquele bebê era lindo, e este elogio não saia da cabeça do chinesinho. Ele também é tão escurinho, tão fofinho, embriagava-se nas diferenças que possuíam apesar de semelhantes na concepção similaridade entre ele que diferenciava de suas irmãs.

“Não fica com medo.” Luhan segurava a mão do novo irmão que chorava baixinho em sua cama. “Aqui não tem fantasmas”. Mas o menino não compreendia tão bem os termos. Sabia andar e aprendia rapidamente a falar, mas em coreano. Apesar de na Coreia, Luhan não sabia a língua. Isso assustava o irmão adotivo mais do que estar em um novo lugar, com pessoas que não conhecia. Demorou tanto pra se acostumar com o orfanato desde a morte da mãe, agora demoraria mais ainda se acostumar a viver com pessoas que não falavam a sua língua, pelo menos não as que ele convivia diretamente. “Eu protegerei você”, disse o mais velho beijando a testa do outro. “Só não chore mais, Jongin-di”, mesmo que fosse em outra língua, quando o mais velho abraçou, Jongin retribuiu, como se tivesse entendido as intenções de seu novo irmão não com palavras, mas com as atitudes.

– Jongin sumiu de novo! – Gritou a mãe desesperada. – E Luhan foi atrás impedir! – mostrou o bilhete ao pai. – Tenho um filho de 8 e outro de 11 soltos na rua em uma madrugada miseravelmente fria! Chama a polícia!!!

– Calma! – Segurou seu marido. – Vamos atrás deles!

Não era mistério, nunca foi. Apesar de toda falação, Jongin nunca se sentiria parte da sua família chinesa. Mesmo com todo o amor, se sentia rejeitado pelas diferenças e falta de ligação sanguínea.

– Eu preciso descobrir de onde eu vim. – Disse Jongin a Luhan. Estavam em uma estação de metrô 24 horas.

– Viemos da mesma fonte.

– Não somos irmãos de verdade.

– Claro que somos. Somos todos irmãos.

Luhan estendia a mão para que Jongin fosse com ele, como em todas as outras fugas, cedeu. Como um ritual, se abraçavam, Luhan selava os lábios do moreno com carinho, davam-se as mãos e iam para casa, com Luhan como guia.

Ao sábado, foram fazer a famosa sessão cinema, que já não era mais como antigamente. A estrutura familiar mudara, as irmãs já não existiam naquela casa e agora Luhan com 15 já podia ficar na companhia de seu irmão sozinhos durante a tarde e agora conseguia acender a lareira só, os pais não precisavam mais ficar na sala, agora a lareira era acesa às cinco.

– Esse filme está me assustando, vamos trocar, ge? – Questionou Jongin encolhidinho no colo do irmão.

– Mas já está acabando, di. – Acariciava os cabelinhos eriçados de medo do irmão.

Quando o plot do susto finalmente ocorreu, Luhan e Kai assustaram-se a ponto de quicarem do sofá. Se viram nas condições e riram um do outro. Era inevitável ambos se olharem e não penetrarem um no outro, mas desta vez foi diferente. Se acariciaram de um modo que não era rotineiro, se beijaram. Sim, um verdadeiro beijo, Luhan não aguentou só ter de selar aqueles lábios, desta vez, ele fez mais, e o outro como sempre cedera as carícias mais cobiçadas em seus desejos. Puseram-se a rir no fim do ato, mas seria realmente esse riso uma espécie de quebra de gelo?

No ano seguinte, a pergunta interna, pertencida a ambos, foi respondida quando A maldição da flor dourada, dirigido por Zhang Yimou, foi o filme locado pelos irmãos naquela sessão de sábado.

– A Gong li é tão bonita, né Lu?

– É sim, Kai.

Quando Luhan abraçou seu irmão com a lateral da costela, sentiu algo duro na calça do moreno.

Segurou o riso. Não acreditava que o irmão, que nunca tinha sequer se tocado, estava completamente duro por causa de uma personagem de um filme chinês.

– Ela é muitoooooooo bonita mesmo. – Luhan disse com um tom de ironia pelas condições do irmão. Mas não percebeu que seu pau ficara duro também quando visualizou o de Kai.

Tentou disfarçar, mas quando viu, seu irmão olhava para o volume dos dois um pouco risonho.

– Deixa aí que depois passa. – Disse Luhan pondo almofadas em cima da calça de ambos.

– Não, deixa eu ver. – Jongin retirou-as.

– Como? – Luhan questionou sem entender.

– O seu parece estar mais duro, ge.

Luhan ficou vermelho. Os irmãos sempre falavam sobre tudo, exceto sexo, até porque nunca saiam com outras garotas. Jongin era meio novo mentalmente falando e Luhan frio.

– Por que está tão tímido, Ge?

Luhan gaguejava tentando desviar a atenção do menor, mas ele estava curioso a respeito do órgão de ambos, queria saber coisas sobre, e se Luhan não respondesse, ele iria querer tira-lo da calça do outro para analisar.

– O meu tá ficando mais. – Kai retirou o pênis dele pra fora a fim de analisa-lo. – Quero ver o seu, ge. – Kai desabotoava a calça de Luhan que imediatamente o reprimiu.

– Para com isso Kai.

– Mas quero ver, por que não deixa?

Kai armou um bico maravilhoso, na cabeça do mais velho, que fez luhan automaticamente beija-lo.

Era normal trocarem beijos, eles viam esse ato apenas como uma evolução do selinho que davam quando crianças, mas esse beijo parecia ser diferente, parecia bom, bem melhor que os outros, mas ao mesmo tempo amargo, como se fosse errado fazer aquilo. Essa sensação fez o pênis de Luhan escapar da abertura que Kai tinha deixado. Agora Jongin conseguia ver.

– Ele é bonito – O moreno brincava com o pica do mais velho contemplando-a com risinhos tímidos. – É muito grande…

– O seu também é.

Se acariciaram até o ápice quase semelhante, em forma temporal. Desfizeram-se na mão um do outro.

Após o fim do ato, um silêncio significativo pairou.

– Vamos dormir? – Kai perguntou limpando a mão depois de um tempo.

– Vamos. – Luhan concordou também fingindo que nada aconteceu.

A partir de agora mais uma carícia incomum era comum no cotidiano dos dois.

Quando Luhan assumiu a maioridade na China, pensou em voltar para poder se dedicar ao futuro negócio que dividiria com seus irmãos. Houve uma discussão com o adotivo por isso. Mas não por Luhan querer ir, e sim por não querer. Tinha medo de deixar o seu amado. “Você vai! Pensa no seu futuro, eu estou bem.” Kai queria o melhor do mais velho, sabia que a vida separada seria difícil, mas não era eterno… Ou seria? “Se você se casar, serei feliz porque você também será.” Jongin tapou seus lábios. O tabu veio a tona, a admissão de um relacionamento que ambos diferente de outros irmãos. Jongin e Luhan estavam apaixonados um pelo outro há tempos, mas nunca tinham falado nisso, era um segredo até dos mesmos.

Uma lágrima saiu do olho do maior. Não queria deixa-lo, não podia, mas devia.

“Eu te amo.”. O mais novo sussurrou chegando mais perto, “Nunca foi um segredo entre nós, foi?”, limpou a lágrima do mais velho.

Luhan não respondeu, sua boca estava ocupada atacando os lábios do seu irmão. Quando viram, estavam despindo um ao outro em frente a lareira, em uma sessão cinema sem tv, pais, ou qualquer outra coisa que incomodasse ambos a expressarem aquele amor do qual declararam.

– Estou com calor agora. – Disse Kai nu estendido no chão em frente a lareira.

– Quer que eu desligue o fogo? – Questionou Luhan também nu deitado em seu peito.

Ambos estavam suando, exaustos pela primeira relação sexual. Foi uma ação tão intensa que nem aparentava ter sido uma primeira.

– Aí eu vou ficar com frio…

Luhan sorriu.

– Não se a gente permanecer assim. – Apertou ainda mais forte o moreno no abraço.

X

Se somos todos de uma mesma fonte, não passamos de incestuosos compulsivos, certo? Já amou um irmão? Já amei muitos, mas um em especial incomodou a diversos.

Essa fic foi postada no Social Spirit

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s