Pink Tape

Primeiro capítulo

Bom dia, grama molhada. Sentiu falta de mim? Eu não senti nem um pouco de você…

Faz tanto tempo que junto dinheiro me submetendo a um cortador sujo de gramas que nem lembro o propósito. Sabe a coisificação de Marx? É, ele tava certo, mas ainda prefiro os luxos do capitalismo, como por exemplo, a minha plástica nos seios.

Quando fiz 16 anos, decidi que seria bonita. Bonita não, a mais bonita. Cansei de ser comparada a feiura da minha irmã emplasticada “Nossa Krystal, como você se parece com a sua irmã antes da cirurgia queixo”, então eu sou queixuda? Tá me dizendo que pareço uma bruxa? Não! Beleza eu tenho, só me faltam os seios… Lógica da Krystal.

– Nossa! Por você eu embarcava nessa “carroça”… – Disse um tarado qualquer na rua referindo-se ao lindo cortador no qual estou montada.

Nojo! Morro de raiva desses peões! Eles sentem que abafam alguém com um pênis? Por favor…

Antes que pensem, sim, sou lésbica. Mas não sou só lésbica, sou uma típica misândrica. Sério, tendo tanto a misandria que nem lésbica masculina eu encaro…

Terminei de cortar essa porcaria! Vou na mamãe pegar os trocados e vazar.

O “Potinho dos peitos” está quase cheio! Logo poderei brincar de boing com a peituda da minha Luna.

Tipo, a Luna não é bem uma mina minha, saks? É só uma amiga colorida. Éramos colegas de economia doméstica, eu do teatro – sou lésbica assumida – e ela do cheerleading – puta quase assumida -, as aulas eram a nossa única interseção. Ela começou a ir mal na matéria, comecei a ajudá-la com aulas particulares de cálculos na minha casa a pedido dela. Começou a tirar boas notas depois de três meses nos encontrando e acabamos virando amiguinhas. Daí, há um tempo, ela me disse, quando terminou um namoro tenso com um mano aí, que queria se descobrir, experimentar e tals e só faria se fosse comigo. Como eu sentia uma atração por ela, aceitei. Transamos diversas vezes após três encontros só de toques. Acho que isso faz totais três meses e ela ainda não “se descobriu” já que toda sexta feira dormimos juntinhas aqui na minha casa, isso quando não são duas vezes por semana, já que a danada gosta de “se descobrir” nas terças também. Já joguei a real pra ela do tipo “E aí, gata? Não que eu não esteja gostando, mas vai namorar comigo ou vai ficar só me comendo?” Daí ela vem com esses papos de que tá na dúvida, de que ainda não sabe ao certo se “se descobriu” e que só aceitará o meu pedido de namoro quando tiver certeza de que é lésbica. Isso é até legal, já que ela é gostosa, mas até quando vou ficar dentro da caixinha esperando? Acabei adquirindo sentimentos por ela, e se isso continuar a tendência é eu me apaixonar… Se já não estiver, pois só o amor nos submete a esses tipos de coisas desagradáveis…

– Krys! – Ouço os fartos seios, prontos para me amamentarem mais tarde, saltando devido aos pulinhos que sempre dá quando quer dizer Oi a alguém – Cheguei, mour! – veio aos pulos aproximar-se de mim no cortador. – Nossa, você tá toda suja…

– Ah, gata. Não seja por isso. – Aproximei-me do seu ouvido a fim de cochichar. – Você pode me dar um banho.

Ela ficou rindo sem graça e corada. Tá vendo? Descobrir o quê? Ela fica nervosa com a minha excitação sempre…

– Podemos entrar? – Pega na bolsa um livro enorme de finanças. – Precisamos estudar…

É claro que ela dormiria aqui em casa… Desde o último mês, estudar tem sido só um pretexto pra que durma comigo. Suas notas realmente estavam melhores, não tinha o que melhorar mais, não mediante a minha ajuda. Se ela não precisava mais de mim, por que continuava vindo?

– Comprei um sutiã novo. – Disse Luna tirando o casaco e mostrando a alça do sustentador em seus ombros. – Vamos pro seu quarto?

Entenderam agora?

Na cama, minhas mãos se encontravam despindo por total aquela blusa com um zíper impossível de manipular. Ela só apoiava suas mãos nas minhas enquanto nos beijávamos ao som de “Lemonade” do Cocorosie. Colei em seu pescoço de tal forma que até o gosto do perfume pude sentir, era lavanda, sem preconceito, mas essência de prostituta, desculpem-me. Apertava e deslizava as mãos naquele par de seios tão constantemente que do bojo já dava pra sentir os bicos duros.

– Krys, tem certeza que trancou a porta?

Ela perguntava isso toda vez que íamos transar. Eu até poderia responder que sim, que tinha certeza. Mas a minha boca estava ocupada, já que meu rosto estava chafurdando naqueles peitões.

– Krys… – questionara mais uma vez insegura. – Trancou mesmo a porta?

Levantei-me do colchão e fui verificar na frente dela.

Girei a maçaneta e voalá, não abriu.

– Satisfeita? – Fiz uma cara irônica.

Ela sorriu e tirou o sutiã. Agora sim, voalá, e olha, que voalá!

Uma pena que seios tão bonitinhos, com formatos tão redondinhos, marquinha de bronze bem fina – sim, a Luna é bem safada mesmo -, mamilos coloração chocolate levemente alaranjadinhos vão ficar totalmente vandalizados após o estrago que farei com a minha boca.

*toc toc*

Não acredito!

Sim, era a porta. Inferno de porta!

– Quem é? – Gritei.

Luna, desesperada como sempre, foi vestindo a roupa.

– Filha, a senhorita Choi Jinri tá aqui. – disse a minha mãe.

– Como é que é? – Questionei não acreditando.

Luna já estava vestida, e até arrumando as coisas. A segurei para que não fosse embora.

– Abre logo a porta. – Sulli bateu. – As meninas estão nos esperando.

– Meninas? – cochichou Luna.

– Tá doida? – Eu disse através da porta.

– Como tá doida? – Ela continuou falando. – Marcamos com as meninas lá no bar! Te mandei um SmS, mas seu celular estava desligado. – Observo o visor e ela tinha razão, desliguei pra ninguém atrapalhar a minha noite com a Luna. – Por que não quer abrir a porta?

Desesperei-me. Eu tinha mesmo uma saída com a Jin, mas não lembrei e acabei marcando com a Luna…

Antes que pensem besteira, Jin é a minha melhor amiga. Fomos criadas quase como irmãs, sim, ela é lésbica e as minas que vamos encontrar no bar são as nossas acompanhantes.

– Krys, acho melhor eu ir. – Foi pegando as coisas dela totalmente decepcionada.

– Tá, mais tarde a gente se fala. – Tentei dar um selinho, mas ela foi embora quase que correndo.

Observei seu rebolar ao sair pela porta, quase chorei.

– Mano… Ela tava quase… Nua! – Questionei com Sulli. – Espero que essa mina que você vai me apresentar seja muito gata, e tenha seios muito maiores, porque senão Jin, você vai morrer!

– Ahaha, quem vai morrer sou eu? Já são 20h e você não se arrumou! Ou pior, ia desmarcar! Anda, sapata! Se veste. – batia palminhas como se eu fosse um poodle.

Antes de falar sobre a saída, quero compartilhar com vocês os eventos que me condicionaram a esse encontro. Essa última semana foi bastante estranha… Tudo começou quando eu e a Jin estávamos fazendo o que fazemos de mais útil: nada.

– Então… – Bato a bola com a raquetinha de ping-pong. – Já que você adora tanto assim mulheres mais velhas, quem do 6° ano você acha que é lésbica?

– Hm… – Sulli a rebate – Victoria Song.

Agarro a bolinha com as mãos e sento-me com o susto.

– O que?  A chinesinha contorcionista?

– A que você fica com torcicolo quando ela passa, sim. – Acompanha-me e levanta-se também.

Victoria Song é simplesmente a mulher mais linda daquele colégio inteiro. Os moldes dos meus seios serão sem dúvida baseados nos dela. Lésbica? Quem dera se ela fosse… Não ia sobrar nem o talo pra contar a história…

– E por que acha que ela é lésbica? – Volto a deitar-me e arremesso a bolinha à Sulli. – Não é possível que meus sonhos tenham se tornado realidade tão rápido assim…

-Hm… – fez uma cara irônica – É o seguinte, senhorita “que orgulho, estou pegando uma menina heterossexual”… Bem…  – rebate a bolinha e inclina-se também. – Vamos dizer que ela me convidou pra sair…

– Não creio! – Bato nela com um travesseiro. – Você vai sair com Song Victoria, e não eu? Como assim?

Jin riu e tomou o travesseiro de mim.

– Que isso, amiga?! Você já não tem a “sua peituda”?  – Senti o tom de deboche – Deixe-me ficar com a minha…

– Ora, sua… – tomo o travesseiro e a bato rapidamente – Como isso aconteceu?

– Bem… – Pegou o travesseiro de volta e pôs embaixo da cabeça. – Sabe que, ao contrário de certas pessoas, dou aulas particulares de cálculos por dinheiro, e não por… Você sabe. – indiretas do bem – Daí, no vestiário encontrei-a nua, totalmente sem roupa, até aí tudo bem, até uma colega minha do basquete me cutucar e falar “Porra, Jin, você tá dando pinta, cara”. É, as meninas do basquete disseram que eu estava babando em cima da veterana e que isso incomoda e dá até caso de polícia.

– Ai, God! Você viu Victoria Song pelada e não me contou? Qual é o seu problema, cara? Só de imaginar fico toda molh…

– Ai, para! – Dessa vez me espancou com o travesseiro. – Escuta o fim!

– O mamilo dela é de que cor? – Praticamente ignorei a situação. Não tinha como não me concentrar na Victoria após tal revelação

– Não vou contar…. – Riu.

– Conta ou vou comer o seu cu. – Estralei os dedos.

– Rosa. Agora pode me escutar até o fim? Senhorita perversão?

– AAAAH! Sabia que eram rosa! Ela é branca demais para ser moreninho tipo o da Luna.

– Eca, SooJung! Eu não precisava saber a cor dos mamilos da sua “namorada”… – Sim, ela fez aspas com os dedinhos.

– Ela ainda não me namora, para. –faço bico. – Continue…

– Bem, daí eu estava no corredor e ela foi falar comigo. Como tinha rolado o incidente no banheiro, achei que ela iria tirar satisfação. Mas não, ela perguntou sobre as aulas e tals. O problema é que como ela nua é magnífica, olhava pra ela e só conseguia vê-la nua. Como no vestiário, nua, molhada, reluzente…

A essa hora o que pude fazer foi imaginar e babar… Não estava conseguindo aceitar que eu não tenha visto Victoria Song nua e alguém que conheço sim.

– Daí ela marcou os estudos para depois da aula. E então, no sofá da minha sala ela viu que eu estava mexida demais a olhando, já que a imagem do banheiro voltava a cada segundo, então ela veio e me beijou.

– COMO É QUE É? – Pulei.

– Sim, mas não tinha ninguém olhando e foi rápido. – Sim, Sulli não é assumida para a família… Teoricamente nem eu, mas isso é outra história.

– Você beijou e viu nua Victoria Song? E só me conta isso agora? Junto com a bomba de que vão sair juntas? Nossa, preciso rever as minhas amizades. – Faço bico agarrando o pyo, meu passarinho de pelúcia desde a infância.

– Ain amiga. Relaxa. Deixa eu terminar pra te dar logo o fim desse bloco. Então, como eu dizia, ela me beijou, daí desfiz rápido antes que alguém olhasse. Daí ela me mirou e falou “Você é comprometida?” daí fiz com a cabeça que não, mas continuei olhando pros seios dela, também, como não ver?

– É verdade… – É, eu que o diga.

– Daí ela pediu o meu número e disse que ligaria. E ligou… 

– Hm… E agora você fica me fazendo inveja, que linda você amiga… – acendo um incenso de menta e troco o disco da vitrola.

– Na verdade, estou te contando porque ela só topou sair comigo se uma amiga fosse junto, e as condições era eu levar uma também.

– Hm… – Tento vasculhar na minha caixa onde deixei a chave do “grande esconderijo”, um cofre dentro da caixa de sapatos onde eu guardava coisas que a minha mãe não podia ver. – E então você veio atrás da única amiga lésbica e quase solteira que tem?

– Exatamente. – Fez uma cara irônica de “nossa, como você entende rápido”. – E então?

– Você sabe que eu sou muito restrita…

– Sim…

– E que amigas da Victoria Song provavelmente são mais velhas do que eu…

– É…

– Será do grupo de contorcionistas?

– Não sei se é da escola…

– A mina é bonita?

– Não sei nada sobre a mina, cara. Que sentido teria isso?

– E se for machinha? – Cruzo os braços desistindo de procurar a chave. – Aonde eu deixei essa porcaria?!

– Olha… Não sei se é tomboy, mas pelo jeitinho da Vic, acredito que as amigas sejam no mesmo nível, até mesmo o de beleza…

– É, deve ser bonita… – Contento-me em não encontrar nada e paro de procurar a chave.

– E então…

E então…

– Anda Sapata, se veste que já tá tarde. – A Jin me empurra ao guarda-roupa.

Voltamos à cena atual.

– Tá bom… – Coloquei uma lolita qualquer e uma bolsa mínima, uma que coubesse somente o necessário. – Mas se eu tiver trocando uma noite com Luna Parker por uma bofinha, alguém vai apanhar muito nessa história, e esse alguém é você!

Entramos no carro da Jin. Claro que não deixamos de discutir mais um pouco, ela continuaria me dando bronca até chegarmos.

– Droga! 8h30min, acho que já causei má impressão pro primeiro encontro… – dizia preocupada.

– Eu tava tão perto… – Lamentei o fim de noite com a minha diva em troca do duvidoso.

– Perto? – Sorriu – Ainda tava nas preliminares? – Jin deu uma gargalhada.

– Sim, sou romântica, ao contrario de você, machorra. – Ri trolando. – Tô com medo do que a noite me espera, ai deus… – Pego um chiclete de menta.

– Calma! Eu jamais te colocaria em uma roubada… A Vic é uma mulher séria, com certeza não vai te apresentar uma lesbo encalhada…. Será? – riu em seguida.

– Ai, já pensou? Sou menina de tirar atraso não! No máximo ajudo amigas gostosas a se descobrirem, preencherem “lacunas” que seus namoradinhos deixam vazias e afins. Agora tirar atraso? Vai que eu encontre algo estranho lá?

– Vai que a bicha tem um monte de teias?  – Sorriu.

– Ou pior, venha armada com um strap on achando que alguém ainda usa esse negócio fora de moda que os casais heteros acham o grelo do momento.

– “Grelo do momento”? – Trolou minha gíria morrendo de rir dos assuntos inúteis que costumávamos ter.

– Mas, por favor, ela não pode ser tomboy! – Seguro o braço da Sulli desesperada. – Por favor, promete?

“Mais uma e te deixo na estrada”, foi o olhar que ela lançou.

Entramos no bar-discoteca GLS lotado.

Que lindo o destino, né? Sabe lei de Murphy? Adivinha o que me aprontou?

– Ali ela. – Sulli apontou para Vic.

– Tá, cadê a “dúvida”? – cochichamos sobre a misteriosa menina que ainda não apareceu.

– Não sei, vamos andando pra saber.

Victoria se virou e acenou toda sorridente.

– Legal, ela nos viu… Mas cadê a outra? – cochichávamos a caminho da mesa

– Não sei…

Atravessamos a pista de dança. Um cara acabou esbarrando em mim.

– Desculpa, gata.

“Gata?”

– Jin, acredita que aquilo era uma mulher? – sussurrei risonha.

Jin se segurou para não rir.

– Ai, ai…

Victoria foi toda fina abraçar a Jin. Sabe, olhando elas duas, acho que até combinaram… Casal fofo…

– Você deve ser a SooJung, correto? – Se inclinou e me abraçou. – A Amber está na pista de dança… – apontou.

– Nossa! Aquela moça ali? – Gostosa…

– Não… Por favor Krys, não tá vendo que aquela é a garçonete? – Sulli me cutucou tentando enxergar também.

Tava tão ansiosa até que…

– Aquela não… – sussurrei.

– Onde? – Sulli me cutucou pela 2° vez – Ao lado do rapaz?

– Não é rapaz, Jin…

– Deixa de ser boba, claro que é…

Quando o “rapaz” se virou de lado, foi possível ver o top que usava na abertura axilar.

– Fala que morri no caminho. – Sussurrei no ouvido de Sulli, indo embora.

– Você vai ficar… – puxou-me sutilmente pelo braço sem que Victoria percebesse o auê que aquilo estava gerando. – Por favor, não seja má. – riu.

– Ela está vindo, e agora? – Questionei sussurrando.

– Por favor, trate-a bem, por mim… – respondeu sussurrando também, referindo-se a Victoria.

– Aconteceu algo? – Victoria perguntou notando que não estávamos normais. – Olha a Amber aqui!

– Olá. – o “rapaz” cumprimentou tímido.

Victoria deu um longo abraço na amiga e nos apresentou.

– Gente, essa é a Amber. Como eu, ela também é estrangeira, só não intercambista. Faz ciências sociais na nossa universidade.

– Olá, Amber. – Disse Jin animadinha.

-Oi. – cumprimentei educadamente.

– Nunca te vi por lá. – cumprimentou Sulli.

– Eu também não… Deve ser pelo curso, né? – Comentei. – Não tem muita matéria semelhante, né?

– Pois eu já vi as duas por lá… nós cursamos o nível 5 de inglês instrumental para tradução ano passado, e o grupo de teatro da Krystal já se apresentou com o meu de música.

Ficamos sem graça com a explicação, fez parecer que não temos um pouquinho de humildade e reparar no coleguinha ao lado.

– Mas não culpo vocês. – Ela e Victória riram.

– É, devem ter achado que ela é um menino e a ignoraram.

– Não! Jamais!!! – Eu e Sulli tentamos o máximo possível manter a cara séria.

– Eu jamais acharia que você é menino. Andrógena talvez, mas menino….Não…– Como respirar num momento desses?

Paramos por aí ou riríamos de verdade.

No decorrer da noite, Sulli e Victoria já estavam se pegando hardmente na pista de dança. Foi bizarro ver aquilo, já que ela sempre foi tão santa e Vic tão fina. De qualquer forma, hoje era o dia que Deus, se é que existe, escolheu brincar com a minha cara. Sabe, como ele é homem, resolveu caprichar trocando a minha peituda por um molequinho; Sulli pra se esbanjar na minha frente com a modelo do meu molde torácico, só falta a Jéssica por silicone antes de mim… Nem mentalizo…. Amaterasu nos proteja.

– Você está linda de PinUp. – Amber comentou.

Ai, começou…

– Obrigada…

– Me lembra até a Emilie Autumn.

Emilie Autumn foi simplesmente a mulher que me ajudou a descobrir o meu amor pela arte e, claro, por mulheres. Fiquei meio animada quando me veio esse elogio.

– Se tingisse seu cabelo de ruivo, ficariam idênticas.

Tive que rir.

– Aceita um? – Estendeu um maço de cigarros da marca L&M escrito “vibe” em um rótulo azul perolado.

– Claro. – Quando retirei, reparei que era Slim.

Fiquei um pouco surpresa pelo designer puramente feminino. Quando o traguei, senti um gosto muito leve do fumo, uma fumaça não tão densa, e um gosto doce quase enjoativo. Minha cara de espanto foi inevitável.

– Gostou?

– Do cigarro?

Ela me olhou irônica, como se fosse refutar com alguma grosseria do tipo “não, dos meus peitos, vadia”.

– Achei muito enjoativo… Já fumei cigarros dessa marca, sou acostumada com o Silver Label e derivados.  – Me segurei para não apagá-lo, por ser uma falta de educação, até que Amber o recolheu e apagou para mim.

– Na primeira vez, se comparar as outras vertentes, ele é pesado sim. Eu mal consegui compreender o sabor. Mas, na segunda vez, você sente melhor o tostado. – Estendeu mais um.

Quando o fumei pela 2° vez, compreendi a harmonia. Fiquei surpresa até surpresa pelo mistério que a tragada me proporcionou.

– Bem, vamos à pista?

Praticamente me puxou. Eu odiava dançar, mas ela se mostrava tanta amabilidade para comigo que fiquei confortável em me expor dessa maneira.

– Você é de onde? – Vish, começaram as conversinhas moles…

– Califórnia.

– Jura? Eu também!

– Legal…

– Posso fazer o seu mapa astral?

Exotérica? Ai… Aposto que é vegana também…

– Claro.

– Data e horário que nasceu.

Ditei tudo e ela foi fazendo as análises de forma completa. Me diverti em saber um bando de coisa que eu não tinha a mínima noção do que acontecia. Mas no fim, achei que a palavra “ambiciosa”, ditada por Amber durante a descrição me definia.

– Ah, e sua cor é vermelho quase rosa.

Nos deleitamos nas batidas que serviam. Estávamos tão soltas que mal lembro como viemos à minha casa.

– Não faça barulho, ou a Jessica vai acordar. – Sussurrei.

– Desculpa.

Entramos no meu quarto, mais bagunçado e sujo do que de costume, consumimos todos os tipos proibidos de prazeres, desde os naturais como maconha, música na vitrola aos sintéticos como incenso e álcool destilado.

– Prazeres naturais deviam ser ilegais. – Mais uma filosofia da tomboy.

– Maconha não é ilegal?

– Falo dos prazeres da carne…

– Hm… – Traguei. – Art of suicide é uma peça ruim para você?

Quando viu que me referia a música de Emilie Autumn na vitrola, ela se negou rindo sarcástica, praticamente me chamando de lerda.

– Estou me referindo a prazeres mais profundos…

– Emilie é muito profunda pra mim.

– É o prazer mais profundo?

Logo vi que a vontade da machorra era me puxar para suas reflexões sem nexo, contudo divertidas. Apenas dancei conforme.

– Não tanto quanto o orgasmo.

– Sim. O orgasmo é o prazer mais profundo.

– Natural. – Corrigi.

– Natural. – Tragou concordando.

Não lembro mais da música, mas duas faixas se passaram, mais conversas inúteis se passaram e de relance, estava realmente seduzida pelo seu jeito galanteador. Amber era doce, misteriosa, interessante e feminina. Um beijo a mim foi dado com volúpia, desejo, pude sentir seus não tão fartos seios, mas macios nos meus lábios até o momento em que apaguei.

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