Shi, a princesa da morte

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Sinopse:

Henrique se deprimia por não conseguir arranjar emprego. Já era a terceira vez em menos de um mês que fazia trabalhos pesados como bico para pagar seu prato de comida. Ia ser despejado da pensão em breve, trancara a faculdade até que tudo se arranjasse. Ele tinha um currículo impecável, mas era estrangeiro em um país xenofóbico. Não ia embora porque tinha um sonho que só conseguiria sendo Shinohime, a princesa da morte.
Prólogo

Shi, como gostava de ser chamado, ou melhor, chamada, era uma diva no palco. Tratada por Alex, seu tutor, para não dizer “cafetão”, como uma mera joia barata, a digníssima drag com seus shows o rendia minas de ouro. Shinohime sabia o quanto era valiosa, seu dever como uma pessoa que tinha um pouco de amor próprio e inteligência, que abundante – no caso-, era sair daquele meio que somente a explorava; terminar sua faculdade pagando de forma digna e efetivar-se em um emprego como professora de inglês, ou qualquer coisa que japoneses valorizassem. Tudo que desejava no momento era ser uma pessoa normal, vista como uma mulher normal, e para isso, teria de agradar os valores daquele país. Voltaria para o seu, mas sabia que se o fizesse sofreria novamente. Shinohime tinha um sonho: ser mulher. Não estrela, não diva de palco, não drag renomada, não uma travesti barata ou cara. Henrique queria apenas ser Shi, não Henrique. Mas Shi era Henrique, e em seu país, Henrique jamais seria visto como Shi. Na Japão, Shinohime não era só uma estrela, Shinohime era real, Shi de fato existia. Shi era vista como Shi, Henrique não podia aparecer sequer em seu passado, nem como recordação. Shi amava o Japão porque Henrique tinha o direito de se omitir, de sumir, de morrer, se extinguir. Shi tinha tudo pra viver feliz naquele meio, podia fazer o principal: existir. Mas Shi não era japonesa. E o Japão foi feito para japoneses…

Henrique teve um passado normal em seu Brasil, como o das outras crianças advindas da cultura brasileira. Sua pré e adolescência que foram perturbadoras, mas só para os pais. A adolescência de Henrique para ele foi o ápice de sua vida, o momento mais feliz: nascimento de Shi, sua verdadeira identidade. Henrique inicialmente não considerava Shi uma dádiva, Shi era um problema para seus familiares e amigos. Shi era uma mulher tímida, só aparecia quando Henrique dançava, cantava e atuava. Shi com o tempo passou a ser mais ousada, passou a aparecer quando os pais de Henrique saiam de casa, assumir uma identidade física marcada, passou a concretizar-se como personalidade do que Henrique de fato era. Shi passou a ser necessária a Henrique, este precisava dela para se expressar, para amar. Henrique amava Shi, mas não a ele mesmo. Henrique se olhava no espelho e desejava ver Shi. Shi agora precisava crescer. A primeira vez que Shi se expressou livremente, os pais de Henrique ficaram arrasados, Shi era vista como doença. Henrique não entendia como ela era vista como um mal, pois ela era estreitamente precisa para que vivesse, Henrique não podia viver mais sem Shi. Então, reflete-se que Shi era exatamente como nomeada, a morte: não era aceita, mas era precisa. Shi precisava nascer para que Henrique morresse. Segundo a lenda de Izanagi e Izanami na criação do império do Sol, o paraíso chamado Japão, era necessária mil mortes para que mil e quinhentos nascessem. A morte é a cura para a vida, e mesmo com toda a importância, não conseguia ser aceita. Shi não podia ser nada mais nada menos que Shi.

Temporariamente, Shi não foi aceita por ninguém. Vivia em um ambiente que era odiada, família, colegas, amigos, a sociedade a desmerecia por biologicamente ainda ser Henrique, mesmo  que bem montada. Henrique decidiu levar Shi para outro lugar.

Com um caminhão de moços como ele, Henrique conheceu D’ega e Richar, aquela pretende ir para a França e a outra à Itália.

– Mas você ainda não tem nome? – D’ega perguntava se abanando o charmoso leque.

– Não. Na verdade, não sou artista, nem me interesso pelo mesmo. Quero ir para um lugar onde as pessoas me respeitem como sou.

– Mas bicha, se você não vai ser drag, vai sair do seu país só para se prostituir?

– Não pretendo virar prostituta. Escolhi o Japão porque pesquisei que lá transexuais tem tratamento social igual ao das mulheres.

– Amiga, não sei se o jagunço te explicou, mas você sabe que todas temos de pagar pela viagem quando chegar lá. Vai conseguir fazê-lo sendo qualquer coisa?

Aquela mocinha tímida estava longe de ser qualquer coisa. Assim fora nomeada e coisificada contra a sua vontade. Aqui jaz Shi no hime, a princesa da morte. Quem diria que a maior estrela do bussines japonês teria sido um produto importado do tráfico humano?

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