A nova Helena de Troia

Eu poderia descrever este corpo em uma cena de chuveiro, auto-contemplação no espelho ou qualquer outra forma que alimentasse minha mente pervertida. Mas escolhi descrevê-la dialogando com o narratário, ou seja, vocês, por uma questão de respeito a própria pessoa. E também, os ângulos que desejo capitar vão muito além de descrição  concreta. O que fazer se o que realmente me interessa são os peitos e não quem os veste?

O que dizer? Que Krystal tem seios firmes? Pode ser, já cutuquei quatro ou cinco vezes na sala de tevê enquanto víamos um filme que sequer lembro o nome. Mas e daí? Tudo que viria pela frente seriam meros frutos da minha imaginação; gosto, textura, sabores, cores, nem o cheiro dá pra descrever direito, ela não deixou que eu ficasse perto o suficiente enquanto cutucava. Tentei fazê-lo da forma mais sutil para que não incomodasse, mas sua irmã ao lado queixou-se do meu “ato machista”. Maldito dia que resolvi pedir Krystal aos pais, afinal as condições para que ficássemos juntos era se Jéssica, sua irmã mais velha, estivesse presente em todos os encontros. Eu disse todos. Desde então, nunca pude realmente saber o que dizer dos seios aparentemente firmes de Krystal Jung.

Sempre inquietante. Desde as cutucadas, minha mente não para de funcionar senão sobre caso. Por que os peitos dela me chamava tanto a atenção? Podia me servir do gênero quando quisesse, bastava pagar ali na esquina ou marcar uma degustação com outras antigas que descartei. Por que Jung Krystal, ou melhor, seus peitos me deixavam impotente – obviamente não no sentido literal da palavra, longe,  muito longe disso – pela falta de acesso?

Pedir em noivado nunca foi uma sugestão. Na verdade, era ainda pior. Ela fazia de tudo para pagar de boa moça findando não ter descarte no fim. Isso funciona com muitos machistas, mas não com este machista. Eu gosto da dificuldade, mas essa está me deixando louco. Se minha satisfação vital depender de ver os peitos de Jung, ao vê-los não a querei mais. Isso está certo? Não, mas o que fazer diante da minha vulnerabilidade sexual?

Espera. Sexual é uma péssima palavra. Não quero – na verdade quero sim, mas não é o foco principal agora – foder com Jung. Recusaria tal convite se ela usasse sutiã no ato. O que está me deixando inquieto agora é a abstinência de seus peitos. A falta que os detalhes dele estão fazendo a minha imaginação. Fico louco tentando usar criatividade para algo tão perto de mim. Algo que tenho duas informações empíricas, e por pouco não pude saber mais.

Minha boca. Nunca liguei tanto desejo a paladar. O que exatamente eu exploraria com a língua? Diferente do que eu faria com a visão, quase nada. Então por quê? Ver se a mama cabe inteira na minha boca, ou o cheque da textura do bico com a língua e a rigidez com os dentes era o que mais me interessava.

Ela usa, mas não mostra os próprios peitos. Usava sutiã até para dormir. Eu queria cuidar deles, dizer a eles que estava tudo bem, que eu estava ali para o que precisassem. Megera. Como pode maltrata-los sem se sentir mal? Eles eram inocentes e reprimidos, únicos, peitos.

Prometi que a deixaria só. Disse que sairia da vida dela se assim quisesse. Mas, quase como um trato judicial, fiz com que prometesse uma coisa. Seus peitos viriam comigo. Era a única coisa que eu desejava daquela relação de fracasso sólido. Ela riu. Não viu que era verdade, ou fingiu não ver a verdade por trás daquele pedido. Os peitos não eram dela, nunca foram. Ela os tinha fixado no tórax, mas quem deu carinho e amor? Quem os educou? Quem agora pelo menos dorme sem sutiã? Os criei mas ainda não tive direito de senti-los. Os tratei mas não tive o direito sequer de vê-los.

E no último dia, antes da minha vida mudar radicalmente por espantar a ignorância com o maior dos conhecimentos, Krystal os mostrou. Não estava mais lá pelo prêmio, mas por uma conquista de vida, a dádiva da mais divina informação. Naquele lugar jazia um homem com o apetite sexual mais satisfeito do mundo. Espera, não sexual. Nunca foi. Os seios de Krystal agora representavam a resposta para as perguntas universais que a minha mente doentemente caótica tinha. De repente eu já sabia para que estamos aqui, para que vivemos e por que morremos. Não creio que seja uma resposta fixa para todos, afinal os seios de Krystal eram exclusividade minha. Isso, eles eram mais meus que dela.

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