Normalidade

Como todo e qualquer padrão, o conceito de beleza é uma construção social, mas seja lá qual for a categoria, para cada pessoa impõe ao gosto um caráter íntimo. Se loiras são as belas da vez, a mídia expõe ao máximo desde às naturais à imposição da química nas madeixas das morenas. O importante é que todas as referências de beleza estejam lotadas de loiras, para programar o cérebro dos consumidores que ter o cabelo dourado é legal, preto ou castanho, nem tanto.

A vida inteira vivi sobre incentivo dos meus pais à leitura, não tinha tv, video games ou revistas na minha casa. Não era algo cupular, mas fui criado para gostar de livros e, como toda a estruturação, ler até hoje é um dos meus passatempos. Nunca me interessei por romances, paciência sempre foi algo que não é do meu forte. Sempre gostei de conspirações; seitas, máfias, metodologia de alienação, minhas paixões. Claro, tudo isso em caráter ficcional, mas não vou mentir que, como quem gosta de romance, apesar de não acreditar em alma gêmea, no fundo alimenta uma crença que pode acontecer. Eu não acredito em conspirações, mas o modo que me querem provar um evento utilizando da numerologia, depoimentos distorcidos a favor e outras estruturas magnificamente bem calculadas e apontamentos doutrinais me fazem nem que por um segundo jurar que isso é real.

Contudo isso é só um detalhe, quero dizer, explico isso porque talvez os ajude a entender o porquê justifico tanto que não sou uma pessoa estranha. Ao contrário, quem me dera ter excentridades. Mas de uns tempos pra cá, tudo que foge do categórico é considerado tabu, certo? Se você usa rosa numa época que azul é a cor da moda, as pessoas te julgam autista ou rebelde. Ou tem problemas, ou é alguém que quer aparecer, quebrar sistemas, te julgam até revolucionário pela questão em si. Revolução… Será que já leram um dicionário?

O ponto que eu quero chegar é que a mídia está tão poderosa que aliena as pessoas a ponto de forma-las uma ordem de consumistas que fazem o que eles dizem certo, e qualquer diferente disso é um marginal. Não, não sou um lunático porque tenho o hábito de citar conspirações em tudo e qualquer reflexão que seja voltada para o que leio, normalmente os argumentos que temos são de bases que nos formam, certo?  Ok, brincadeira, mas falando sério, fico tão impressionado de ser classificado como um fetichista pelo meu gosto por mulheres… Digo, fetiche é uma atitude que voltada para um alvo anormal é considerada incomum. Minha atitude até pode não ser comum, porque como eu disse, seres humanos da minha geração – no meu meio cultural, obviamente – são friamente categóricos, mas o alvo da minha preferência é super normal… Ou devia ser, já que é tão comum.

X

Na adolescência de Jumyeon, os tempos livres eram dedicados aos poucos amigos que possuía. Gostava de gastar toda a mesada em fliperamas, e acredite, sua mesada rendia finais de semana com mais de dezesseis horas em uma única tacada. Insistia aos pais para lhe comprar jogos, um video-game, uma tv. Mas eles não confiavam; meios de informação tecnológicos, segundo eles, obtêm informações alienadoras e formadoras de opinião concreta, vem tudo pronto, moldado, reflexões direcionadas apenas para que as pessoas aceitem e provavelmente concordem, eram verdades não absolutas que se tornavam universais. Quando ficar mais velho, com convicção das opiniões que adquirira lendo, aí sim, será livre para utilizar dessas porcarias. A superproteção quase inútil era tanta que passou a deixar Jumyeon sair de casa somente aos dezesseis. Até então, era escola e casa. Não admira, hoje em dia, Jumyeon possuir os mesmos amigos que da época dos dezesseis. Época dos dezesseis… Primeiro choque de interação social.

“Jongin-ssi”

O menino curvado no balcão, ostentando um físico invejável possível de se admirar apenas com a pose que fazia. Olhou para o protagonista com cara de poucos amigos, e quase bocejando apenas respondeu ao chamado secamente.

“Quê?”

“Você tem uma bunda muito bonita”

Falou normalmente com um sorriso infantil nos lábios, tentando ser simpático.

“Morre, sua bicha”.

E Jumyeon não entendeu de forma alguma aquela grosseria.

Os amigos já se acostumavam com a falta de hábitos sociais que Jumyeon tinha, as gafes que não deixava de praticar. Apenas aceitavam a maturidade gradual do amigo conforme ele crescia, monitoravam suas observações quanto a “etiquetas”.

Depois de um tempo, com seus vinte, já seguia o que tinha que seguir. A popularidade fez sua quantidade de admiradores aumentar. Na faculdade, era bajulado pelo título concedido pela pose personal que assumia, era um “cara legal”. Não havia contestamentos ou zoações pelas partes, Jumyeon já agia devidamente nos conformes exigidos, e tirou proveito de sua boa imagem criando uma personalidade. Todos queriam ser Jumyeon.

Mesmo sem casos, tratava de ficar com alguém quando os amigos lhe arranjavam, pra ele não tinha a menor graça, nunca ficou no clima. Chegou a questionar sexualidade por levantamento de questões alheias quanto a sua vida sexual por costumeiramente não se felicitar em ficar com ninguém, ou não achar um passatempo divertido transar com “belas” garotas em seus finais de semana. Gostava de ficar só.

Em uma hora qualquer de seu dia, trocou a hora da janta por ficar de bobeira, ainda que só, na sala de visitas. Reencontrou lá uma garota com quem tinha ficado nas últimas semanas, não linear, “Não te esqueci”, disse a moça sorrindo. Ela era aluna de cênicas, mas não sabia sequer mentir a mediocridade. “Também não”, ele sorriu, e por educação, inclinou-se para beijá-la. O rosto da moça ficara roxo, entregou-lhe um número e bem saltitante avisou “não se esqueça de ligar desta vez”, saiu. Agora tinha se libertado. Sacou o celular e voltou ao aplicativo tosco anterior.

X

Não entendo porque é normal, quase obrigatório, uma pessoa fora do padrão exigir um que seja do padrão, enquanto é quase absurdo socialmente um do padrão querer um de fora. Isso para mim soa tão sem lógica.

X

– Gosto de você. – Disse o moço apalpando os fartos seios de Jimin enquanto trocavam beijos. – Às vezes até penso que estou amando de verdade, mas acho difícil ter uma certeza…

A menina riu tentando não mostrar deboche. Ela achava tão fofa essa falta de jeito do namorado ao falar com as pessoas, ser transparente com os sentimentos ao máximo como uma criança recém-chegada na pré-escola.

– Faz quanto tempo que a gente tá junto? – Sussurrou no ouvido da moça.

– Talvez seis dias. – Respondeu ainda abafando uma certa risada.

Ele se deliciava a escutando rir. Obteve a cabeça encostada no pescoço da moça sentindo o maravilhoso aroma que ela exalava mesmo depois de um ato que era inevitável a transpiração. Seus lábios tocavam toda a extensão que farejava, gostava de roça-los porque ela demostrava se excitar mais. Jumyeon gostava dos bicos de Jimin duros, e isso costumava acontecer ou no frio, ou com estimulações labiais que era o que ele costumava fazer, seja no ponto fraco – o pescoço – ou onde ele mais gostava, no próprio mamilo. Desceu beijando o corpo da menina durante a sessão de massagem que fazia com a mão esquerda sobre a barriga da moça. Como ele adorava sentir sua amada em suas mãos, cheira-la, beija-la, admirar sua linda imagem nua sobre lençóis de algodão branco, usar aquele corpo como um estimulador de sentidos. Jimin era tão encantadora que o fazia se sentir realmente vivo. Em frente aos seios, parava e lá ficava, apreciando com a boca a maciez da menina até que caísse no sono, um dos dois. Geralmente, ele dormia primeiro, porque gostava de sonhar com o que tinha, para ter mais uma vez. Para ele, não tinha nada de entediante transar com a primeira garota que realmente o fez feliz, por ser uma escolha dele finalmente ser feliz, quebrando preconceitos, deboches e qualquer programação social que todos têm de enfrentar, mas só uns enfrentam, para no fim sonhar com a mesma cena.

Do tecido adiposo, uma enorme apreciação.

X

Não existe computador mais sujo que de universitários. Era completamente normal assistir pornôs entre amigos, ou sem vergonha dos mesmos ao pegá-lo com a mão na botija enquanto aprecia pessoas nuas muitas vezes fazendo o mesmo. Jumyeon como um bom viciado em jogos, deixava a página do aplicativo aberta, e a do pornô minimizada, mas a vergonha entre os amigos existia. Sempre que chegavam, a minimizada era deletada. Na verdade, nem sequer jogo Jumyeon jogava. Nada mais era uma página máscara para que pudesse continuar assistindo pornografia em paz. “Chubby”, tem sido a mesma tag seguida desde que iniciou sua vida sexual. Desta vez, a página minimizada é que tinha o papel de mascarar. Jumyeon observava bem as cenas, se deliciava com essas moças em todas as categorias, desde que requisitada sua tag favorita, para que conseguisse curtir suas transas arranjadas em paz. Não que apenas curtisse meninas gordas, mas porque eram as únicas que não podia ter.

Quem diria que a punheta trocasse de lugar com o sexo no contexto preferência.

X

– Ela deve ser bem legal…

Sua mãe disse com desdém olhando a foto no celular do filho.

– Ela é muito legal…

Estava tão alegre que nem reparou.

– Vai demorar pra ela chegar?

– Quase nada.

Quase uma hora depois do combinado, a menina apareceu.

– O que faz da vida? – Os pais perguntaram sorridentes durante a refeição.

– Faço administração.

– Tem algum passatempo?

– Gosto de cantar…

– Canta um trechinho pra gente daquela música, mour. – Ele pediu sem parar de beijar a mão da moça, que não largara desde que a mesma chegou.

Não cantava bem, mas também não era mal. Cantava em uma dose normal, muito, muito normal.

A menina era tão simples em tudo que assustou os pais do menino. Era o tipo de pessoa que não tinha a menor personalidade, comum demais em tudo. Estavam tão entediados que quase perguntaram se a menina tinha algum vício, ou se era normal até nisso.

– Quer um chocolate, querida? – Jumyeon questionou sorridente.

– Não gosto muito de doces…

Não era simpática, e parecia não gostar tanto assim de comer. Não era uma gorda estereotipo. Este fator fez a mãe ficar no chão de tanto tédio em forma de pessoa.

– Gosta do que estuda?

– Sim, quero abrir um salão de beleza.

– E precisa do diploma de administração para isso?

– Vai me ajudar.  – A moça já parecia enjoada de ser interrogada, e não fez o menor esforço para não demonstrar isso.

Não era inteligente também, não como o filho. Não era educada como o filho, não tinha personalidade como o filho. Não importa o quanto buscavam, não encontrava na menina qualquer motivo de encantamento por parte do filho sobre ela. O show de talentos tinha acabado.

Quando indo embora, Jumyeon demorou mais de quarenta minutos no carro, um pouco distante da estrada para voltar para casa. O menino adorava dar banho de gato na moça como sobremesa sempre que podia. Sexo agora parecia a ação mais divertida de todas, finalmente entedia o prazer que os meninos sentiam por transarem como selvagens por aí.

Esfregava o rosto entre as coxas de Jimin, beijava a virilha com sucções tão fortes que as vezes a menina até murmurava de desgosto. Desesperado e paciente era nessas horas, paciência de repente tornou-se parte da identidade. Lambia, dava leves mordidas e beijos no umbigo dela enquanto massageava as coxas e a polpa que tinham carne de sobra. Se mantinha abraçado apreciando a farta gostosura que a moça robusta oferecia.

Depois do quase interminável oral, quem dera a ele que fosse, que fizera a moça gozar três vezes, voltou para a república com um sorriso imenso no rosto.

X

“Fale a verdade, por que está com ela?”

“Como assim?”

“Ela é uma pessoa comum demais.”

“Estou com medo de falar e você me julgar superficial.”

“Ela é boa de cama?”

“Agora tá ficando… Acredita que ela era virgem antes de me conhecer?”

“…”

“Eu mesmo não acreditei até ver o sangue jorrar, coitada.”

“…”

“Mas agora, ela tá tentando fazer umas coisas que nossa, tô é ficando louco só de imaginar, e…”

“Conta logo porque está com ela!”

“Porque ela é muito gostosa. Pronto, falei.”

E o assunto entre Jumyeon e a sociedade se encerrou para sempre.

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