Personalidade de Seme

Fonte: semeuke.com

Seme vem de semeru(receber), termo designado aos ditos “ativos” da relação no Yaoi.

  • Seme fofo(Chibi):

É um seme difícil de entender e ao mesmo tempo temos muitos referenciais a ele. É como um cachorro de porte pequeno: são fofinhos, mas querem se mostrar durões porque sabem que são fofos. Costumam ter aquela pinta de sedutor, mas no fim eles que são seduzidos. Melhor descrição é “um ativo em pele de uke”: moço feminino que quer ser macho alfa, mas no fundo também paga velox pra ver Palmirinha.

  • Seme oportunista(Opportunist):

É difícil definir esse homem, porque ele é o que o Uke quer. Todos querem um homem sedutor, mas o que seduz cada uke? Eu chamaria de “Seme bipolar”, porque ele muda conforme os interesses dos passivos que ele quer traçar. No fim, ele só quer passar o piupiu nas disponíveis. Mas, ele evita ferir corações, é tão malandro que dá uma ligadinha no dia seguinte só pra dizer que a cachaça tava forte, apesar de ter bebido meia taça de vinho tinto. Faz com que os passivos pensem “pelo menos ele ligou, né”. Atrai ukes que curtem joguinhos sexuais. No fim, a manipulação é o seu carisma.

  • Seme romântico(Romantic):

Tá na cara. Deve ter passado milhões de personagens na sua cabeça, certo? Bem, só dando uma descrevidinha rápida, o romântico é aquele que parece “o cara” para as mulheres, tem bom gosto, é inteligente, atencioso, o melhor de todos. Mas é gay. E ele é daqueles gays que parece inacessível para qualquer ser de tão perfeito, mas na verdade é menino dado do tipo que sofre de amor >> e sacrifica a si mesmo << para ukes estilo Bella(não tem nada demais, mas todos da escola querem pegar).

  • Seme sádico(sadistic):

Seme “um tapinha não dói” gosta de ter ukes sempre sob controle, tem sede de poder e dominação no relacionamento. Abordando traços de psicopata como o metodismo, é reconhecido por fazer tudo com perfeição em cima da ukecidade alheia, isto é “gosto do quadro sem poeira, mas é minha moça que vai limpar, porque sou o pica dessa galáxia”. Pode ou não utilizar correntes e chicotes para “educar” o passivo, vai depender do nível de frescura do casal.

  • Seme que não fode –q/Seme “não mexa comigo”(Don’t fuck with me Seme):

É o seme caladão super explosivo. O super ultra macho alfa “neste cu ninguém toca”. Sabe os homens que só maltratam, vivem na lista de queixas de violência doméstica e ainda sim todos querem dar para ele? O charme dele é ser rústico. Mas no fundo, é solitário por ser obsessivo por autoafirmação alfa, então poucos ukes conseguem se relacionar com ele, apesar de realmente todos quererem experimentar do doce sem açúcar que ele carrega.

Personalidade de Uke

Fonte: semeuke.com

Uke vem de ukeru(receber), termo criado para designar o dito “passivo” da relação no Yaoi.

Há um tempo o quiz desse site era bem popular, feito para descobrir a sua personalidade Seme ou Uke. Vamos fazer então uma leitura de cada personalidade normalmente abordada nos personagem ukes.

  • Uke levado (badass)
    Sabe aquele mocinho doceiro que faz a malvadona “não te quero”, mas na verdade tá com um fogo danado no personagem? Pois é, essa seria a descrição do Uke levado. Como ele é meio “depressivo”, faz doce porque quer alguém pra casar, uma pessoa que realmente “o mereça”, então aquele Seme que insistir em querer domá-lo será seu par. Se eu for citar personagens de animes como exemplo, vai ser uma lista bem extensa.
  • Uke fogoso (flaming):
    O nome diz tudo, também é conhecido como “uke free bitch”. Sabe aquele passivo que sempre quer se mostrar por cima, com autoestima elevada, fica beijando o próprio ombro em todas as fotos, se mostra excêntrico e autossuficiente, como se fosse a batata mais quente do assado? É assim que se reconhece um Uke fogoso. Ele quer ser paparicado, quer um Seme que reconheça sua carnalidade, um macho farejador aos seus pés. Pra ele, o ativo ideal é o que sinta tanto tesão por ele que o encoxe discretamente nos ônibus e tenha ideias libidinosas como transar em público e coisas do tipo. Alimentar o seu fogo nunca é o bastante.
  • Uke lerdo (clueless):
    O Uke sem noção é aquele que nunca sabe que um cara dá em cima dele ou está gostando dele. Todos do escritório ou da escola fazem até macumba para que ele se manque, mas nem sob confissão às vezes ele se toca. No fim, isso é uma tática inconsciente porque ele só quer dar. Gosta de se divertir, gosta de poder fazer o que quiser quando quiser, por isso evita o vínculo afetivo.
  • Uke dramática (dramatic):
    Precisa dizer alguma coisa? O Uke dramático é o menino que gosta de sofrer, sabe que o cara não vale nada, mas está lá, pedindo para voltar, aceitando traição — ele gosta de se sentir em uma aventura, em um romance conflituoso, ama ser a típica protagonista que está em um rolo com dois caras. Por isso procura por Semes que o faça sofrer.
  • Uke inocente (innocent)
    É o uke mais mocinha de todas. O Uke inocente é nada mais nada menos que aquele uke com vagina psicológica. A idealização da mulher ideal (para uma sociedade patriarcal) em um menino: é fofo, doce, gosta de pagar o velox pra assistir Palmirinha a fim de cozinhar as melhores receitas pro sonhado maridão, ler revista Nova, escutar An Cafe, essas coisas. Procura por um príncipe protetor que admire sua personalidade de Amélia virgem, ou como ele diria “Boa esposa que escolheu se guardar para o homem certo”.

A parte do Seme já está quase pronta. Espero que tenham gostado.
Qualquer dúvida, dica ou discordância em relação ao quadro, podem se manifestar a vontade nos comentários ou no ask caso tenha alguma vergonha e queiram anonimato. Dêem opinião sobre o quadro geral, se acharam legal, ou uma droga, estamos aqui para isso.

O mundo BL e os estereótipos culturais japoneses

@dois_dolares(spirit)
Fontes de apoio: Mangá – O poder dos quadrinhos, Sonia Luyten

Se você escreve fiction, é muito difícil não já ter entrado em contato com o universo Boys Love. Não necessariamente escreveu ou leu algo, mas sabe que seus gêneros são bem presentes, independente da categoria, em destaque nos animes e grupos musicais orientais.

O que normalmente nos é passado são categorias e subcategorias, certo? Mas o que há em comum? Para fazer parte do universo BL, são todos necessariamente gays? Ainda que homossexual, reflete traços da cultura heteronormativa patriarcal japonesa? Reflexão ou idealização? Representatividade ou fetiche? Analisemos.

  • Shonen: gênero voltado para o público masculino adolescente japonês. Especifiquei a nacionalidade pelos clichês presentes que normalmente emponderam jovens com as crenças da cultura, exemplo: honra, amizade como algo trivial, etc. Não há relacionamento homossexual, mas é bem comum encontrar materiais (tanto feito por fãs, como algum “especial” feito pelo mangaká) ligados a essa categoria com fanservice devido ao relacionamento dos personagens de dependência afetiva inconsciente “salvarei esse amigo, nem que eu morra junto com ele”; tática de guerra que virou fetiche ou alvo de piada “homofóbica” entre os fãs.
  • Shonen-ai: mais um gênero voltado para o público masculino juvenil – gay ou não – em que, como no shonen, certas morais da sociedade japonesa estão presentes. A diferença de um para o outro é que o amor (ai) realmente existe, mas não é abordado diretamente. Muitas vezes o casal possui relacionamentos matrimoniais héteros fora de seus vínculos, mas a relação um com o outro é de extrema dependência com exposição de sentimentos bem acentuada. Pode ser a história de um casal, mas dificilmente terá beijos ou relações mais carnais um com o outro. O foco mesmo são os sentimentos da relação do que o produto dela em si.
  • Yaoi: Categoria voltada para o público feminino e masculino homossexual jovem. Aqui a homossexualidade é exposta de forma aberta. Com traços delicados, os parceiros têm divisões fixas do papel conjugal (seme: ativo, uke: passivo) quase idênticas às dos relacionamentos heterossexuais em sociedades patriarcais, isto é: o ativo é o macho protetor, normalmente rústico ou cavalheiro; já o passivo é feminino, uma donzela tímida e frágil ou uma moça séria doceira que vira danada gemedora com uma lambidinha rápida no mamilo. Enfim, é característica do yaoi “heterossexualizar” o relacionamento: ser uke quase sempre é ser “a mulher” da relação. Esse gênero é mais um fetiche feminino, por isso é normal ter fofura, sexo quase sempre “a primeira vez”, entre outras temáticas e idealizações de marketing japonês para garotas.
  • Bara: categoria voltada para o público adulto homossexual. Aqui se concentram preferências (hobbies, gostos, fetiches) do “real” mundo gay japonês. Ao contrário do yaoi, os traços não são nada kawaii, variam do rústico (homens exageradamente fortes e peludos) aos mais reais como os do seinen (categoria de anime voltado ao público adulto masculino). Muitos também fixam papéis para o casal dividido pelas posições de ativo e passivo, mas não como heterossexualização; não será um homem e uma “mulher”, mas dois homens, sendo um deles submisso. Pode ou não ter sexo. Os assuntos variam desde a descrição de assumir-se homo, experiência com amigos héteros, tiras políticas ou religiosas (budismo é mais aberto à homossexualidade), revelando/denunciando uma cultura homoafetiva forte em meios em que se tem muitos homens se relacionando e etc. Expressam abertamente também fetiches de submissão, como a urofilia (e é com uma puta normalidade) e outros tipos de bdsm (em que, ao contrário do que as pessoas pensam, uma relação de submissão e dominação não necessariamente é sexo protagonizado com algemas e chicotes como a mídia costuma estereotipar).
  • Lemon: não é bem uma categoria. É um indicador de que naquele yaoi ou bara tem sexo explícito. É normalmente usado como aviso de que naquela história haverá cenas de sexo com homens se relacionando.
  • Shotacon: relacionamento (pode ser sexual ou não) homoafetivo envolvendo meninos, em alguns casos até bebês. Não necessariamente aborda pedofilia (relacionamento entre adultos e crianças), mas o público é o adulto (homens homossexuais e mulheres). Normalmente os temas são experiências amorosas na infância, ou alguma crítica/fetichização, como estupros em internatos, “prisões juvenis” (feben), entre outros. Para se adequar a essa categoria, o personagem que tematiza a relação tem que ter até 13 anos (fim da pré-adolescência).
  • Shoujo: não faz parte do universo BL, mas pode ocorrer fanservice por ser voltado para o público feminino jovem.Aqui estão as categorias mais comuns que compõe o BL. Como podem ver, nessa sequência de colunas, o público provavelmente será bem restrito. Espero ter esclarecido certas coisas e também que tenham gostado do quadro.

    Caso queiram mandar suas dúvidas, dicas ou sugestões relacionadas ao universo BL, fiquem a vontade para expor nos comentários ou mandar no ask da page.

Top 10 de fanfics favoritas do Fanfics Anônimas

Então, cheguei finalmente a minha 10° resenha postada na página do facebook Fanfics Anônimas criada por cinco membros de Noireland e uma contribuidora de um grupo pessoal nosso. Decido postar para acompanhar tanto o meu crescimento na escrita, quanto indicações para quem não tem facebook, mas se interessa por ler uma boa One-shot desconhecida.

  • Bonfires, Venus Noir.

Na realeza, a hierarquia social é ainda mais rígida, pois todos sabem que se em um sistema abrangente de todas as classes, nobre não se mistura com servo, e vice-versa. Quando um duque tem hábitos da considerada vassalagem ou despreza os costumes da própria classe, mesmo que em uma rasa, ele é o rejeitado da corte. O príncipe Jongdae enxerga Baek, seu primo interiorano da mais baixa linhagem monárquica, com um olhar além dos cargos reais. Contudo se o vesse assim, de ambos, não seria Jongdae o nobre no relacionamento de senhor e escravo.

O que me surpreendeu nessa fic foi o modo como a autora soube abordar sexo em uma visão política, não se esquecendo de apimentar o lado afetivo sem causar comoção romântico-idealista diante de um tema mais “sádico”, mesmo que não diretamente relacionado à etimologia da palavra.

  • Unrequited, Venus Noir:

Como um segundo mundo, no teatro podemos ser quem quisermos. Nada é impossível, qualquer fantasia, da mais realista, tudo é válido. Hyuna é a beldade mais cara da ásia, quiçá a mulher mais bela existente no mundo para muitos, muitos mesmo. Jongdae ama Hyuna, Hyuna ama Jongdae. Mas e Baekhyun? Como intérprete de Hyuna, a personagem que lhe trouxe o prazer do afeto, não se vê encaixado nessa linda, mas triste história de amor.

De todos os triângulos amorosos, esse foi sem dúvida o mais conflitante. Transformismo em muitas culturas possui o usuário encarado como brincalhão; atores fazendo de conta mesmo quando sentindo a necessidade da transformação. Contudo, o conflito começa quando o travesti sente exatamente a necessidade contrária, a de ser aceito como lagarto, não borboleta. A autora expressa essa relação focando nos sentimentos relacionando-os com metáforas envolvendo o espaço físico presente no cenário para explica-las, melhor forma de abordar o tema se levar em conta o que é real e o que é criado. Palavra que define essa fic seria “brilhante”, ainda que causando ambiguidade pelo contexto do conto, teatro das drags.

  • Sinta o que eu sinto, Kill-Lunah

Como seria odiar ser tocado tendo a ausência do tato? A curta descrição do que se passa na cabeça de um paciente recém-tetraplégico sobre o que foi e o que é agora, fisicamente falando. A falta de mobilidade e da metade dos sentidos sensoriais praticamente o desumaniza, Luhan sente-se apenas a consequência de tudo que é natural, os restos do homem que foi, apesar de estar vivo. Era feliz sendo um quase falecido até Jongin, um enfermeiro sem índole, lembrar-lhe da pior forma de que ainda vive.

Assustadora a forma que o terror psicológico me abalou como leitora. As metáforas usadas para descrever o desconforto de uma pessoa de personalidade aparentemente pessimista – antes mesmo de estar nessa situação – sobre sua situação foram muito bem representadas; a forma banal de descrever o ciclo vital e, claro, uma certa desistência de estar vivo mesmo sabendo que é viável uma semi-cura completa a energia carregada de negatividade sobre o que é a vida, ou como é estar morto com um coração batendo. Morto com um coração batendo e um cérebro funcionando, pois em momento algum o personagem se esquece de nos lembrar o quanto odeia ser tocado, daí que a autora consegue te deixar ainda mais agoniado com uma descrição tensíssima de estupro na qual mesmo sem sentir, você sente.

  • Kiss me goodbye, Venus Noire

Xiumin já esperava por esse dia. Na verdade, Luhan também. Xiumin sabia exatamente como se comportar diante dessa repetida experiência, já Luhan, não. Em apenas uma semana, os dois grandes amigos se confrontam silenciosamente por uma causa irrevogável: Xiumin voltará para a Coreia, desta vez para ficar. Ainda que falsamente positivos, ambos sabem que seus relacionamentos, tanto um com outro quanto pessoais, mudarão bruscamente. Pensando nisso, passivamente planejam a despedida perfeita, finalizando por conta própria não só a amizade, mas todos os sentimentos – saciando inclusive os ocultos – que iniciaram.

Afoita essa sensação de pré-sofrimento presente em toda a fic. Imaginar que uma amizade construída com uma pessoa que caiu por acaso e na hora certa atingindo diferentes partes da vida em doses intensas acabar da noite para o dia é dureza para qualquer um. Mais do que o medo de perder o amigo é o medo de não conseguir recordá-lo como merecido, forçando o personagem a criar estratégias em próprio consolo. Amostra do quão doloroso pode ser o afastamento semi-fraternal na vida de um adolescente, ainda mais frente a uma amizade com duas personalidades tão distintas completando uma a outra. Presenciando passo a passo as lembranças e despedidas – descritas com toda a delicadeza – dos dois amigos dá a impressão de conforto ao leitor que possui um amigo íntimo longe (por separação); a felicidade de tê-lo, mas a tristeza da distância tornar a relação tão desigual. E o motivo da catarse é exatamente pela fic não mostrar essa relação, mas a prévia com o temor dos personagens do que será.

  • The colors of love, Miss Hendric

Um verdadeiro artista expressa suas emoções em suas obras. Sai é um artista, mas só se tornou verdadeiro quando conheceu Uzumaki Naruto. Até então, para si o mundo era cinza, meio termo entre branco – todas as cores – e preto – a ausência delas. Como seria mudar toda uma noção de mundo após um simples de muitos outros fatos, inclusos os profundos, na vida, que foi conhecer só mais um no ciclo social em uma missão de rotina?

Do olhar de um artista descrevendo a descoberta de sua essência. Não se trata apenas do primeiro amor, mas da assimilação deste sentimento. Descrição é algo fundamental na história e ela é feita com tanto cuidado que me apaixono por cada linha escrita, chega a ser mais chamativo que o próprio enredo.

  • I’m with you, Miss Hendric

Quando se alcança o fim de uma meta, espera-se que soe positivo. Negativo tornar-se-á apenas se a consequência deste fim abala inícios de novos planos, como o casamento dos melhores amigos de um relacionamento triangular em que logo você ficou de fora. Essa é vida de Naruto depois de tantas mágoas e perdas em lutas e guerras para atingir o que buscava: a volta do Time 7, aquele trio que iniciou tudo. Entretanto, no meio da aventura tudo já tinha mudado. O time 7 jamais seria o mesmo, ele sabia disso e, apesar de tudo, por um certo motivo passou a gostar. Estaria Naruto realmente sozinho?

Sabe aquele sentimento de saciedade na dose certa ao matar a sede?  Surpreendente como uma drabble pode ser tão breve e tão bem esclarecida. Com desenvolvimento corrido quase inexistente somado a final e início muito impactantes (o que marcou a brevidade com conteúdo satisfatório inteligivelmente falando), a estrutura do conto reflete o relacionamento do casal triangular na cabeça do protagonista; o amor iniciou assim e terminou assim, não importa o que houve no intermédio ainda que a felicidade de alguém seja sacrificada, o meio não serve de nada se o fim e o início estão comprometidos. Mas, não construímos apenas uma história em nossas vidas, podemos acabar sozinhos em uma aventura e iniciar outra acompanhados. Se de um lado a felicidade é sacrificada, de outro é devolvida e em grandes doses. Reflexão devida à forma que Naruto emite tão bem os sentimentos em uma fic de terceira pessoa.

  • The Empty, Miss Hendric

Lacunas, as temidas, pois conhecidas lacunas. Porque, independente do que seja, nada se deve faltar; não precisa estar em abundância, contudo antes sobrar do que fazer falta, pois a falta faz exatamente o que a denominação procede: falta. É devido a isso que Sai se sente assim ou pensa que é assim que Naruto o vê, apenas como um tapa buraco, somente aquele que preencheu um vazio no Time 7, nada mais. Entretanto, Naruto prova que Sai está sim envolvido em uma falta, mas não de relacionamento profissional, e sim um vazio que só Naruto pode preencher, pois ele sabe exatamente onde e com o quê saciar. Sai teme o amor, pois não o conhece.

Mais um “diamante das fics”, desta vez não em forma de trecho, mas de conto inteiro aqui presente. A escrita é tão bela que ao recolher os melhores trechos o leitor se perde em descrições, narrações e diálogos tão bem construídos. Sai, como um artista, tem a visão retratada de maneira muito sensível, mas, conforme quem conhece o universo Kishimoto sabe, ele é um ninja sem emoções. Conciliar este paradoxo em um contexto “romance impossível” me parece difícil, mas não foi barreira para autora, que além de executar o fez muito bem.

  • Obliterar, killhyun

Juliette só deseja curar as feridas daquela que ama; mostrando à Patrícia que sexo se difere de estupro, revela-lhe não o que é fazer sexo de fato, mas amor. Não como um amor romantizado, mas a expressão concreta do real sentimento que compartilham compulsoriamente.

Gente, você morre de amores pela delicadeza do conto. É uma pwp, mas a autora consegue fazer com que o foco central não seja o sexo, e sim o sentimento das personagens uma pela outra descrito por ações entre quatro paredes. É uma amiga que morreria pelo bem estar da outra, que quer apenas apagar as marcas de violência sexual mostrando que a verdadeira relação é expressada por quem se ama, que toques carinhosos curam cicatrizes violentas, que o verdadeiro amor reabilita de qualquer dano emocional e oblitera todas as más lembranças em uma maravilhosa recordação que sim vale a pena ficar.

  • Dirty White, Lazy-Liesel

Um recipiente puro, que emana luz branca; a clara e límpida descrição da própria inocência escrita por uma criança que agora preenche uma carta, manchando sangue, com suas lamentações. Ela compara sua alma corrompida que, como a folha, deixou de ser branca tornando-se carmesim, símbolo dos pecados impostos pelo monstro a quem destina a carta.

A dor expressada, boa parte devida ao vocabulário que utilizou na fic, é real. A autora consegue convencer de que aquele menino foi sequestrado e agora, após tantas cicatrizes como prova de sua experiência em cativeiro, só lhe resta morrer por ter sua dignidade inteiramente perdida. Os traços da Síndrome de Estocolmo e atitudes compulsivas que sua insanidade – dada por ações brutais de seu sequestrador – o levou a fazer são fatores que intensificam os relatos, fazendo o leitor entender o título da forma mais sórdida.

  • Baeshin, Lilah Aoki

Quando palavras ou momentos “sugestivos” atormentam a cabeça de uma pessoa apaixonada que não consegue lidar com os próprios sentimentos, torna-se ainda mais perigoso se a sugestão for uma traição. Sabia que o ciúme pode virar patologia?
Uma trágica fic interativa que possui como tradução de seu título “traição”. Trata-se basicamente de relatos de uma pessoa que sabe que foi traída, mas esconde só para si pelo fato de saber e não agir, mas se importar com isso, trazendo-lhe sérios problemas psiquiátricos até levá-lo a uma tragédia. O que mais me marcou foi o resultado que o protagonista obteve de sua dúvida inicial que é respondida da forma mais glamuriada e dolorosa abordada em um drama.

Espero que tenham gostado das indicações. Com exceção de Baeshin, todas as outras fanfics se encontram no Social Spirit.