A impossibilidade do diletantismo

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Esses relatos são e-mails de uma Era mais distante, aproximadamente mil anos após a segunda vinda de Cristo para os humanos primitivos – denominados “homo sapiens” – da Era Capitalismo Global, o início da globalização via rede magnética, ao qual vocês batizavam de “internet”.

As 04h30min, Tao veio me buscar. Não fazia nem uma hora que ele tinha me ligado, relembrando pela 5° vez que iria me ver nesse horário, em ponto.

Na rua, não largava da minha mão, conversava tão normalmente; sorria, mordia os lábios como provocações inocentes, arriscava até dar discretos beijos na minha bochecha enquanto caminhávamos. Os olhares e comentários de reprovação não o incomodava. Como ele conseguia?

Quando finalmente deu 23h, devolveu-me ao meu lar, “amanhã posso vir de novo?”, suplicava com um sorriso nervoso, afirmei timidamente, com medo de parecer um deles, sabe? Um dos milhares de juízes que tivemos de enfrentar essa tarde.

Não, não sou um oprimido pela heteronormatividade. O que presenciou no relato da tarde de hoje não foi homofobia, ao contrário, na cultura dessa Era, diferente para qual estou mandando esse “e-mail”, a homossexualidade é algo perfeitamente normal, aceita por todas as culturas. Estudei nos livros de história que isso foi mal visto durante vários períodos lineares da história humana, em determinados locais influentes principalmente, quando somente se podia haver reprodução entre “machos” e “fêmeas”, logo o ser humano relacionava esse fator à sexualidade. Estranho o ser humano querer negar a biologia ou vê-la de forma tão vil… Mas não digo que eram primitivos, muito menos “atrasados”. Ao contrário, estou escrevendo para essa linha de tempo exatamente pelas reflexões que tive com esse assunto de “negar a biologia” ou “desconsideração do social no próprio meio social”, evidente de diversas maneiras no tempo de vocês.

Computadores não são muito normais hoje em dia. Quando uso este mecanismo, só consigo conversar com pessoas do passado. O mais estranho de tudo é que as pessoas que costumam acreditar que vim de uma Era distante, dizem que o meu computador tem uma “tecnologia” avançada, tão avançada que nem sonha em existir lá, um mecanismo que permite falar com pessoas do presente e do passado, “Sistema regulagem de tempo não existe?”, a primeira vez me assustou de verdade ao ouvir isso. Às vezes, meus e-mails se passam como “correntes virais”, aproveitam da minha autoria para se passar o que eles chamam de “vírus” ou “spam”, realmente não sei diferenciar os dois, mas de qualquer forma, já me acostumei ver textos meus deturpados sempre com um link escrito “clique”. Vou te contar, não costumo escrever para antepassados sempre, principalmente pelo fato de eu quase nunca ser levado a sério… Comecei a ter esse hábito após assumir um namoro com o Tao. Tao também tem um computador, mas o usa só para mim. Ele acha fofo essa minha paixão por utensílios antigos. Vocês não tem noção do que é namorá-lo, ou os problemas que enfrento com ele. Não, pior é que vocês sabem exatamente como é, ainda que em outros contextos, esse é o principal motivo de eu estar escrevendo.

Em História-geografia socio-biológica da ética humana, uma das matérias que se tornaram obrigatórias para os alunos de Ciências Futurísticas Sociais – inter-relação da humanidade -, um dos eventos que estudei foi a tentativa da implantação de uma nova ordem mundial, a primeira documentada com imagens papáveis, através de um movimento ditatorial na época em que existiam apenas dois polos político-econômicos predominantes (capitalismo e socialismo, se não me engano). Surgido no início dos anos de 1939 a.d.c(antes da segunda volta de Cristo), anterior a 1° Guerra fria global, no surgimento da Weired – ou como vocês chamavam, “internet” -,  foi retomado nos anos 3.000, fracassando-se novamente, tinha como um dos enfoques o fim da mistura racial e a ascensão do que vocês denominaram de “ariano”. Nomearam esse movimento de Nazismo, correto? Isso é tão antigo, que não sei por que a escola ainda ensina, ainda que nessa matéria, mas me fez refletir a realidade da sociocultura que recebemos atualmente, mesmo após tanto tempo, diferença ainda é um debate. Mesmo que o tema seja “mixagem étnica”.

Sim, o que viram nos relatos do meu romance foi miscenofobia. Na verdade, a aversão não era exatamente à mistura racial, como pregava o nazismo. Se bem que, o conceito de “raça” para os humanos daquela época era muito diferente. Digo isso, porque vocês segregavam uma mesma espécie humana por características genéticas predominantemente estéticas, era mais uma definição social do que biológica. As pessoas da época a qual escrevo, ainda não conheciam o conceito real de raça para o ser humano, segundo a ciência, claro. Isso surge, se não me engano, na Revolta das Sereias, quando a civilização de Atlântida mostrou-se não derrotada, voltando à guerrear com as criaturas terrestres devido a poluição no mar que dizimou metade das criaturas marinhas, motivo do desencadeamento da guerra(à nível de curiosidade). O que teve de cientista enlouquecido por ter de rasgar teorias que denominavam o ser humano de “homo sapien- sapiens pacificus”, ou gente virando “atetéia(ateus que passaram a negar até a ciência, legitimando o ceticismo concreto para o movimento)” nessa época… Logo após, na volta de Cristo, uma nova ordem mundial se criou, todas as criaturas humanas existentes(que até então, só existiam em livros, na época, considerados “místicos” ou “mitológicos”) confraternizaram, daí o conceito raça surgiu. Sim, sereias são seres humanos. Humanos são todos que constituem o pensamento e língua em sua anatomia com exceção dos Deuses, semi-deuses(boa parte são mais deuses do que humanos, mas existem muitas exceções), e subcriaturas(seres que tem a natureza de trabalharem para humanos – quando domésticos – ou a natureza – quando selvagens – como elfos, duendes, fadas, gigantes e fins)mas isso vocês já sabiam. Nas categorias, temos como terrestres os Nécritus, aquáticos as Sereias, aéreos os Anjos e pirocinéticos os Ninfos, apesar de todos, devido à evolução, se adaptarem muito bem com todos os meios ambientais. Também não acreditamos exatamente em castas superiores, ou raças mais complexas dentro de uma mesma espécie(humana), nosso preconceito vem de: qual é a espécie que se mistura.

Tao é um ninfo, era contra a natureza dos ninfos se relacionarem com qualquer outro ser, até contra os próprios. Se reproduziam por sexo em raríssimos casos, mas se acreditava que pelo fato de poderem ter uma reprodução sexuada, era o motivo de terem uma constituição física tão próxima a dos nécritus-beta(denominação aos humanos com o físico como a dos antigos homo-2sapiens-pacíficus).

A propósito, sou um nécritus-beta, o que é raro. As diferenças são poucas das dos alfas; um exemplo é a constituição biológica não permitir gravidez de machos(não que o útero masculino seja marcante evolução – todavia, pra vocês, sizo e hímen era marca de forte evolução, quem dirá machos reprodutores – , mas nécritus que não possuem, costumam sofrer taxações), também não posso me relacionar com o fogo sem me queimar, ficar embaixo d’agua sem me afogar, sair de uma gravidade que não seja 10. Para tudo isso, necessito de aparelhos. Betas não são nada mais nada menos que os seres que dependem de uma forte dominação sobre a natureza, por não serem biologicamente independentes no contexto desse tempo. Lembrando que a divisão de classes por “mais” ou “menos” biologicamente evoluído, está presente em quase todas as raças da espécie humana. Tao não necessitava dominar a natureza para sua sobrevivência, isso os ninfos nunca tiveram de evoluir, porque sempre fez parte de suas constituições. Todavia, machos não tinham útero.

Apesar da inexistência teórica de uma raça superior, os Ninfos possuem distinções mais complexas quanto aos outros humanos, vai além da ciência, são seres realmente abençoados. É complicado classifica-los, porque eles são mais puros que os semi-deuses e dão inveja aos deuses. É a espécie mais distinta humana. Eles não foram feitos do barro como os nécritus, ou da espuma do mar como as sereias, muito menos das nuvens como os anjos. Ninfos foram feitos daquilo que é mais puro no mundo, incrivelmente posto no que é terreno, a faísca do Sol celestial. Imaginem todas as versões do fogo na crença sociológica e mística trabalhada por vocês, de todos os povos anteriores à globalização magnética; primeira forma de expressão humana de domínio a natureza, ou o fogo de Prometeu, Amaterasu para a casa imperial da Terra do sol nascente, todos os deuses sóis citados, ou até mesmo reis sóis que surgiram, o fogo como fonte vital. Ele é muito mais importante do que isso.

Meu medo não era do que as pessoas falariam, ou o que fariam em repúdio ao nosso amor, era ter o pensamento semelhante aos deles. Passei a me ver como centro, um humano invejado. Como pode a criatura tão bela, a ponto de constituir uma natureza assexual por autossuficiência, compartilhar do bem mais precioso do mundo que é o amor mais puro já criado por Deus? Como seriam seus filhos? Um ninfo emocionar-se como os humanos nécritus, era mau sinal? Seria o fim dos tempos? Não era assustador deuses e humanos miscigenarem-se, ou entidades da natureza utilizarem de seus recipientes concretos para se criar novas criaturas, mas um ninfo apaixonando-se, ou um nécritus, ainda o da mais baixa classe, recebendo a paixão de um ninfo, isso era ridículo. “Meus olhos estariam enxergando normalmente?”, era o pensamento de ambas as sociedades ao nos ver caminhar de mãos dadas pelas ruas.

Conhecendo Tao, quebrei muitos tabus quanto à natureza de sua raça. Quando ouvia falar dos ninfos, me vinha visões esteriotipadas de seres perfeitos montados em alazões de fogo passeando pelo Sol celestial; tão bonitos que se saciavam em frente a um espelho; inexistência de problemas psicológicos; emocionalmente suficientes; eu não enxergava o motivo de ter possibilidade da relação sexuada, senão variação genética como única visibilidade. Como eu era retardado. O índice de suicídio dos ninfos era dobrado em relação a todas as outras raças, eram pessoas muito sensíveis por se considerarem mal compreendidas até pelos deuses. Não era da natureza deles se excluírem, era a sociedade que interpretava dessa forma, por algum motivo, e os excluíam. Ninfos eram seres humanos normais cridos por todos como seres superiores devido à constituição. Por mais que eu tenha isso em mente, nosso meio social contaminante às vezes me faz desistir de romper essa ideologia presente no mundo há tantos anos. Até os próprios ninfos passaram a se isolar, parar de tentar se encaixar em um meio normal. Inclusive, Tao só está na superfície, predominância de nécritus(mais numerosos seres em terra firme), porque uma colônia de diplomatas e famílias se instalou aqui, perto do meu habitar.

Como vocês lutavam, também luto por um mundo onde as desigualdades não sejam geradas pelas diferenças, me esforço para poder viver ao lado de uma pessoa independente da raça dela sem que nenhuma outra interfira com pensamentos ruins. Não só raça, mas qualquer outro fator visto por pessoas que nem nos conhecem como uma barreira ao nosso amor. Eu considerava preconceito algo primitivo pelo que eu estudava, mas tenho certeza que essa ideia se passará a frente com normalidade, como está presente entre nós agora, mesmo com tantos anos de história, e movimentos corriqueiros ligados ao mesmo assunto, desde que o mundo é mundo. Preconceitos que durante muitas épocas nossos antepassados viveram pregando como um pensamento não só correto, mas sensato. Poderia até passar a ter um ceticismo quanto a mudanças em um futuro distante, acreditar que o fim do sofrimento pelo qual eu e Tao passamos jamais vai acabar, mas é por querer tanto que esse relacionamento dê certo que não desisto. Vocês não desistiram, sempre existirá alguém que nunca vai desistir, que vai ter pelo que lutar.

Desejamos construir uma família, de fato. Tao e eu ainda não pensamos em ter filhos, mas já conversamos como ficaria a mistura. É uma pena não termos sistemas reprodutores que capacitem nossa gravidez… Teremos de pagar uma reprodução assistida caríssima. O procedimento é muito simples, mas é mais fácil ainda dar errado, levando em conta, principalmente, as genéticas que mesmo desenhadas igualmente, são imensamente distintas. O procedimento é feito muitas vezes; escolhe-se um dos machos, ele toma uma cápsula uterina que só funciona no corpo os exatos 9 meses para o bebê se desenvolver(as chances de aborto espontâneo são triplicadas), se utiliza o espermatozoide do outro macho e o óvulo é construído com 1ml da medula. Segundo os doutores virtuais com quem me consultei, é mais fácil a gravidez vingar em mim, já que a medula dos nécritus é bem mais consistente(off: fiquei feliz, porque quero ser um pai que sente bem profundamente na pele como é ter um filho). O bebê é alimentado por um tubo sintético adaptado, este só é introduzido cirurgicamente. Já verifiquei os preços, até abri uma conta na qual de todo o dinheiro do meu salário, é descontado 10% para poupança. Sim, faz pouco tempo que namoramos, mas esse pouco tempo me fez refletir necessidades importantes que posso ter na vida, como me apaixonar por alguém infértil. Tive de enfrentar meus pais diversas vezes, “Esse moço é um ninfo, BaekHyun, um N-I-N-F-O! Isso não é natural, ele vai te deixar à beira da amargura quando olhar o primeiro reflexo de si mesmo!”, cabeças antigas… Vocês também tinham que conviver com pais assim? Vivo em um antagonismo claro com a minha família desde que Tao e eu passamos a sair. Foi tão difícil assumir essa relação lembro como se fosse ontem. Lá estava eu, no sofazinho, “Mamãe, papai, vamos conversar”, “Um ninfo! Como você pôde? O que há de errado com os alfa? Ou mesmo os beta? Por que não um tritão? O que você tem contra anjos? Que desgosto!”, não mãe, é mais desgostoso ainda vocês terem torcido para que eu nascesse alfa como o papai, mas nasci beta como você. Um filho beta que gosta de um ninfo…

Independente dessas ações sociais bobas, ou pensamentos debatidos até hoje, seja nas famílias ou meios acadêmicos, jamais ensinarei aos meus filhos que raça significa alguma coisa determinante. Jamais torcerei para que a mistura resulte em uma predominância ninfa a nécritus e virce-versa, meu filho será mais que uma tarja, será a forma concreta de um amor que sobreviveu a um repúdio hipócrita do ser humano pelo próprio ser humano. “Independente da predominância, quero que ele se pareça mais com você”, posso sentir o gosto do beijo de Tao até agora após ter me dito isso. Por que não acreditam que ele pode ser meu e eu dele? Mesmo não sentido o que nossos corações sentem, as pessoas sentem-se a vontade para me taxar um exibicionista, ou Tao uma aberração.

Tao acaba de me mandar uma mensagem no WolrdsApp(modéstia parte, foi um sacrifício instalar no computador) querendo que eu vá dormir, pois já são 3h da manhã. Perguntei se ele é minha mãe e ele disse que como uma pessoa que me ama, tem a obrigação prazerosa de cuidar de mim. Falando sério? Achei fofo, tô derredidão aqui.

Bem, encerrando esse e-mail, agradeço os que me deram algum tipo de atenção. Espero que de alguma forma eu tenha ajudado alguém, seja compartilhando as mesmas ideias, ou divertindo aqueles que como eu, faz do tempo livre o que quiser. Nunca desistam de lutar pelo que acreditam. Se eu receber respostas ou algum interesse sobre meu relacionamento com o meu Tao, saibam que sim, desejo publicar um livro, inclusive, ele está sendo confeccionado direcionando-se ao meu TCC sobre preconceitos, mitos, tabus e perpetuações primitivas que devem ser quebradas acerca dos ninfos. Vai que você recebe um e-mail meu com anexo um dia?

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Rain

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Sinopse:

“A Chuva são as lágrimas de Deus” é a analogia mais comum, ligar chuva à tristeza. Lay é um professor de literatura chinesa que relata um trágico escanda-lo entre seu colega de trabalho Luhan com um idol sul-coreano famoso.

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Música indicada: Rain – Ryuichi Sakamoto

Chuva… Algo tão clichê para simbolizar tristeza! Talvez, Sehun-dongsaeng fosse realmente importante como todos falavam. Eu particularmente não o conhecia muito bem, mas meu colega, mais que bem. Eles eram uma espécie de, como se chama mesmo? “Amigos coloridos”, ou algo do tipo. A paixão levou Oh Sehun à morte naquela tarde chuvosa. Não tenho vínculo algum aos fatos, como eu disse inicialmente, nem mesmo o conhecia bem. Contudo, meu colega Luhan me presenteou com a sua desgraça, ou melhor, a de Oh Sehun.

Chamo-me Zhang Yixing, tenho 30 anos e sou escritor. Na verdade, quero ser um… E essa é a minha primeira história.

Saindo direto de um teste empresarial para aprendiz de artista, pela 5° vez finalmente passou. O menino saía gritando das audições vitorioso, o brilhos nos seus olhos eram maiores do que qualquer coisa. Consegui! era o que claramente dizia o seu sorriso, seus pulos sobre as lixeiras do corredor, o doce de cada ruga que sua expressão infantil marcava na fina pele momentaneamente muito irrigada pelo sangue e adrenalina que não paravam de escorrer em suas veias. “Sai da frente, moço” gritou uma menina de patins que andava tranquilamente até o outro super feliz esbarrá-la antes que pudesse vê-la à frente.

– Você está bem? – Questionou a menina assustada com os patins.

Antes que Sehun pudesse responder, a provável estrangeira com sotaque deveras charmoso, pensando o menino, foi pegando algo no bolso. Ao pensar, Sehun, que a menina lhe daria dinheiro, já foi recusando com as mãos até ver que invés de dinheiro, pegara 2 bilhetes.

– Aceita ir à cafeteria comigo? O único pedido de desculpas que posso oferecer-lhe no momento.

Quando olhou direito para essa misteriosa estrangeira, reparou seu busto. Não tinha peito algum, ombros muito largos até para uma lutadora de Judô. Não era uma menina, era um rapaz aparentemente universitário. Oh Sehun assentiu com a cabeça, o susto o fez esquecer até o motivo daquela confusão toda: sua comemoração.

Com muito esforço, o estrangeiro, homem, chinês e universitário intercambista, também trainee, Luhan conseguiu saber que Sehun acabara de passar em uma audição. Sim, nosso protagonista coreano não é muito de falar, nunca foi. Aquele dia em que estava tão feliz por garantir uma vaga para ter a permissão de lutar pelo seu sonho era uma exceção, mas também, ai dele se não fosse! “Ambos partilhamos o mesmo sonho”, pensou Sehun sem a menor coragem de comentar.

“Gostei de conhecê-lo… Apesar de não falar muito, sinto conforto no seu silêncio. Podemos sair de novo? Como te contei, ando meio solitário desde que me mudei para cá.” Enviou o estrangeiro um SMS ao, que tanto o relia, Oh Sehun. Pelo menos parecia recíproco.

Deitado na cama, refletindo o dia, lembrou-se do café; brincaram de autografar papéis um do outro, Luhan seria uma estrela há um pouco mais tempo em empresas diferentes, obviamente. Não parava de mirar o papelzinho. Só de ouvir a história do outro, Sehun sentiu que poderia dizer que o conhecia, mas mesmo assim queria saber mais sobre o encantador menino de patins. “Saúde” estendia Luhan sua xícara brindando o momento de Sehun, uma comemoração indireta e por acaso… Ai, doloroso acaso…

“Pensei que fosse uma menina” Sehun revelou em seu 3° encontro, finalmente conseguiu falar. Todos os dias estavam lá, no mágico e nostálgico Café. Apreciavam cada saída, mesmo que fosse sempre pro mesmo lugar. Estar com Luhan pra ele era especial, chegara num nível que nem ele tinha percebido. Essa espécie de relacionamento quase podia chamar-se de paixão. Um ano passou e Luhan já estava formando e não conseguira debut ainda.

“Não passo de um colegial” pensava alto Sehun às lágrimas imaginando que se seu namorado não arranjasse um emprego rapidamente, voltaria para a China a qualquer custo. Por que não posso trabalhar sendo menor de idade? Por que não posso arranjar empregos enquanto faço o ensino médio? Tais dúvidas surgiam na cabeça do menino apesar de saber as respostas de todas, basicamente a mesma: o ensino médio na Coreia era integral e ainda faltava um ano para a sua formação. Mesmo assim, desde aquele dia de puro êxtase por conseguir uma vaga na escola de Idol, Sehun já teria um destino todo trilhado, isso significava também esconder sua sexualidade, além de  que, arranjar empregos, fazer intercâmbios estava fora de questão. Só tinha opções que o implicasse ficar longe do amado.

“Está tudo bem, eu tenho um plano. Por que andas chorando tanto?” Luhan secava as lágrimas do namorado que chorava baixinho desnudo em seus braços. Eram 3 da manhã e ambos se encontravam aflitos, enrolados em lençóis molhados pelo suor de uma noite que há tanto esperavam, sem contar os conflitos e as angústias que, quando não expressas de forma sexual, era aquele choro incontrolável de apenas uma parte, o que parecia tão frio, mas na verdade hipersensível, Oh Sehun. “Parece que invertemos os papéis…” Disse o coreano que já ficara cansado de tanto reclamar e preocupado que estivesse chateando o mais velho com tanto chororô. “Fico feliz por isso…” Luhan o confortava em frente a sorrisos transbordados do seu rosto ao estar tão conectado ao outro. Ele realmente ficava feliz que Sehun se sentisse tão próximo ao ponto de começar a se expressar, principalmente em palavras.

“Fico feliz quando chove…”  soltou admirado o menor chorando “Faz as minhas lágrimas parecerem insignificantes…”, saiam nus na madrugada apreciar a o temporal que tanto confortava o mais novo. Ninguém os veria em um albergue tão distante senão os próprios moradores que, se não dormindo, estariam fora. “Sehun, grite!” e o mais novo obedecia, era a maior demonstração de liberdade que podiam praticar, pois era real, por mais que fosse a um curto período de tempo, era sim real. Corriam em frente, qualquer caminho que não os levasse a uma civilização era válido, beijavam-se nus enquanto a chuva carregava suas lágrimas, suas mágoas.

Foi inevitável. Na despedida de Luhan de volta a China, Sehun nem sequer apareceu. Não, seria demais ver aquilo acabar assim.  “Tudo bem, já imaginava que não viesse. Que bom que não veio, meu rímel não para de escorrer, e eu não quero que me veja assim.” Luhan não usava rímel, ele abominava qualquer tipo de maquiagem, nele. Parecer uma menina sempre o traumatizou, então praque uma analogia tão falsa? Sehun pensava… Talvez a dor do mais velho fosse tão grande que não haveria verdade para sustentá-la.

“Vou voltar para te buscar”, foi o erro crucial de Luhan enviar essa mensagem. Sabemos que quando estamos tristes falamos qualquer coisa que pareça esperançosa, uma delas é confortos que implicam em promessas que nem sempre podemos cumprir, pois não temos controle algum do futuro. Lembra-se do acaso? Sim, ele mesmo. Sehun foi uma pobre vítima desse doloso vilão.

Formando-se na escola, Sehun passou a trabalhar integralmente na empresa, não tinha tempo pra nada senão suas atividades. Luhan não ficava pra trás, agora que obtivera formação no curso de graduação do exterior estava exercendo sua profissão como professor de chinês para coreanos. O chinês tutor preparava intercambistas coreanos para falarem chinês a fim de irem pra China. Ele com toda certeza poderia treinar Oh Sehun findando trazê-lo para si, não podia? Mas infelizmente não foi o que aconteceu. Com tamanha falta de tempo para contato, Luhan foi vivendo a sua vida como professor, culturalmente a imposição social do casamento acabou perseguindo-o então o fez. Passou-se 4 anos desde o último encontro, Luhan pai de duas crianças, uma com 3 anos e outro com 6 meses. Sehun debutou como Idol na Coreia explodindo de cara a toda extensão da Ásia. Ambos pareciam seguir vidas felizes separadamente, Luhan como um professor bem sucedido e excelente pai de família, Sehun com seu sonho totalmente realizado… Era o que parecia.

Naturalmente, com a sua fama por toda a Ásia, Sehun agendou um show na China. “Turnê amanhã em Pequim, ansioso para conhecer as cafeterias de lá” escreveu em seu site oficial. Sim, era uma espécie de mensagem subliminar, ele sabia que Luhan leria, e realmente leu. Após tanto tempo longe – 4 anos mais ou menos – perderam contato, quase tudo mudou, só o que não, foi o passado. Cafeteria, original, não? Era a maior marca de que o que viveram existiu. Início…

Não existia espaço na cama para os dois naquele momento, a qualquer hora poderiam cair, era o que pensavam ao praticar atos tão selvagens de vandalismo sexual, lambuzavam-se por completo ao se esfregarem selvagemente de um modo que só um ser naturalista ousava fazer. O pênis do Luhan adentrava Sehun por completo como só essa posição fazia, os joelhos deste doíam de tanto ralar nos lençóis de seda. Fios do cabelo do mais novo embolados soltos entre os dedos do mais velho. Sehun tinha pontos roxos da surra de pica, chupões que quase lhe estouravam os capilares sanguíneos e os fortes tapas glutinais dado pelo seu, não tinha nome definido, mas era certo que era seu.

Quando finalizou todo o ato de atraso exterminado, a chuva caiu. Sim, mais uma vez esta presente no momento de angústia maior do protagonista coreano “Disse que iria voltar, o que aconteceu?”… Foram as últimas palavras do mais novo antes do seu suicídio uma semana depois. Era inexplicável o fim desta história… Tão inexplicável quanto doloroso… Por mais que Luhan fosse professor, não poderia jamais dar um conceito de futuro em um contexto como o seu, ou sequer poderia explicar a infelicidade que ambos sentiam ao serem separados pela manipuladora vida, a maior amante do acaso.

“Tem certeza de que quer fazer isso?” eu disse a ele quando me contou a história para relato. “Sim…”.

A verdade é que o mundo os fizera acreditar que tudo passa. Mas as sequelas da marca de um para o outro jamais passaram, tudo iniciara em uma cafeteria, e para Luhan terminou na mesma. Então entendi o porquê a concessão da história. O fim do romance tinha ofuscado de tal forma a razão de Luhan que o pensamento da sociedade não o incomodava mais. Como pra Sehun, aquilo significa o fim de sua vida. Nem a chuva foi capaz de carregar tamanhas mágoas.