Memorial

Como prometido, criei coragem para publicar o memorial. Como ficou um pouco pessoal demais, fiquei com vergonha. Mas só compartilho meu blog com os meus colegas, então só fui -Q

Bem, esse memorial foi um trabalho de DPE, o tema era “o que aconteceu na minha vida em época de escola para que hoje me influencie na escolha de me tornar professora. 

 

Amanda: Significa “amável”, “aquela que deve ser amada”, “digna de amor”. É a variante feminina de Amando, nome originado no latim Amandu,

Amandus, que deriva do verbo amare e quer dizer “amável,

o que deve ser amado, digno de amor”.

 

De todas as lembranças que trazem os signos, ou os símbolos, sempre existirá o peso da que trago em mim: meu cabelo.

Ao me olhar no espelho, imagens da minha infância e adolescência vêm à mente; meu primeiro contato com outras crianças: meu primeiro alisamento. Atitudes racistas criadas ainda em séries iniciais trouxeram a mim o fardo da época de não aceitar a “Amanda” que hoje sou. As crianças me denominavam de tudo referente a cabelos, de duro à palha de aço. Como um nome tão bonito não era lembrado? Talvez fosse ofuscado pela “crespidês” de minhas madeixas, eu não era sequer vista, quem dirá digna de algo que não fosse à lembrança de que sem adequação social, ainda criança, jamais seria lembrada por ser digna de amor, mas por deboche.

“Seus cabelos são muito bonitos, não volte a alisar” disse de bom grado uma moça que reencontrei. Ela provavelmente pensa que o problema era puramente estético. Hoje, caso eu alise, seria uma questão de “estética”, porque o padrão é ser branco, ainda. Quando eu era criança, tinha diversas bonecas brancas; o símbolo infantil na mídia era uma mulher que as lembravam muito, mas pessoas reais, para mim, não eram daquele jeito. Foi quando ingressei em uma creche, com uns cinco anos, meu cabelo sempre ficava preso pingando água. Eu realmente não ligava, mas tinha medo de soltá-lo e ser comparada negativamente com qualquer coisa que não lembrava o belo, não me tornasse digna do nome que tenho. Só aos sete, primeira série, diversidade cultural – era uma escola pública –, mas as exigências eram maiores, ou você parecia a Barbie ou era feia. Ninguém exigiu que eu fosse branca, ou pintasse o cabelo. Ele podia ser negro, desde que liso. Posso ter o cabelo crespo, mas o meu nome não será mais Amanda. Posso ter o cabelo crespo, mas não serei mais amada.

Raça é um tema tão mal abordado na escola. Que eu me lembre, poucas vezes tive contatos com debates sobre, de onze anos frequentando o lugar, só há quatro momentos que eu me recorde. Como uma estudante universitária, vejo a ênfase que a educação necessita de lembrar a seriedade de seu papel, sociologicamente seria educar o ser para torna-lo sociável, a escola é uma das bases, mas de todos os problemas que temos, os sociais são os piores: 50,7% da população brasileira de declara parda ou preta(IBGE 2014), mas a visibilidade da beleza negra na mídia é nula. Se metade da população tem traços, porque uma criança é refém desse sistema racista nojento a ponto de não sentir-se a vontade consigo mesma por não parecer a Barbie? Essa cobrança nunca é dela. O foco de debate de cotas nas escolas quase sempre são mal elaborados pelos próprios “mestres”, tão superficiais que o argumento vencedor sempre é a meritocracia; se nem os tutores sabem do que se trata, por que o aluno se sentiria incentivado a saber sobre o assunto? Basta copiar a opinião do professor, afinal, ele é o Deus Sol, ele sabe tudo, estamos lá apenas para absorver seu conhecimento para poder passar no vestibular. Minhas aulas de história quase sempre tiveram um modelo positivista, nenhum professor estava interessado em debater qualquer informação nova, já que podiam reproduzir um material arcaico e ganhar folhas de pagamento assinadas da mesma forma. Nos modelos positivistas, militares são salvadores e Zumbi dos palmares ou qualquer outro símbolo de resistência à escravatura era bandido. Abolição? Dê graças a Princesa Isabel, mulher branca que salvou todos os negrinhos. E claro, o Embraquecimento é “conspiração” esquerdista, não se esqueçam, direitos humanos para bandido, tadinhos dos “humanos direitos”. Revolta das vassouras? Revolta da Chibada? Não me lembro de ter visto esse conteúdo em matéria alguma. Alguém se lembra de João Cândido ao listar revolucionários? Nem eu lembro, porque não foi na escola que o conheci. Na minha época, eu não sabia que podia existir uma outra verdade, se todos estão fazendo, então esse é o certo, eu pensava. Durante muito tempo, só reproduzi o que me passavam, e como as

referências eram unilaterais, aceitava que o mundo estava como tinha que ser. Hoje, olho as crianças semelhantes a mim, passando por tudo que eu passei, como se isso nunca fosse parar. Talvez, a licenciatura possa me ajudar a espalhar essa verdade que as pessoas não conhecem, talvez eu possa criar uma bilateralidade de mundo para cada uma delas, evitando impor uma opinião maniqueísta sobre elas, das duas faces, elas que terão de refletir na escolha. Se a escola tem o papel de educar, fazendo minha parte como educadora tenho a missão de retomar esse sentido, de ajudar a romper um modelo que necessita pelo menos de deixar de ser a verdade absoluta, de mostrar uma visão de mundo onde todos existam. Espero que assim, muitas Amandas possam ser amadas como eu sou agora: crespa e livre.

Curta – Excessos

Sem o que fazer da vida e com preguiça de escrever, decidi postar um fragmento de fic – não pode ser considerada drabble porque tem mais de 100 palavras – que seria um plot para uma história que desisti de fazer. Comemoração a mudança do meu pseudônimo(não mais Cortez Hime, agora sou Aiko), nome dado pelo meu professor de Japonês. Decidi modificar o pseudônimo já que minha escrita esse ano modificou-se de forma brusca devido a diversos fatores na minha vida. Espero que não sintam falta do restante. Kiseo ❤

Sinopse: Segundo Marx, o capitalismo transforma as pessoas em coisas. Um menino de 17 anos com idade alterada para 21 em sua identidade para que possa se prostituir sem mais depender do tráfico aprecia a solidão que tal trabalho excessivo proporciona. Torna-se exclusivo de um cliente com o qual compartilha a solidão igualmente excessiva por outros motivos aparentes, mas no fundo os mesmo.

O pequeno prostituto e o menino trabalhador

O casal entrava em uma casa enorme. Kai impressionadíssimo com a morada de KyungSoo, não parava de sussurrar adjetivos como “encantadora” ou interjeições como “uau” não saíam de sua boca, consecutivamente também do seu olhar…

– Nossa! Que casa linda, Soo. – contemplava admirado o teto de mosaico feito com cerâmica indiana. – Deve ter custado uma fortuna.

O que mais impressionava Kai não era o estilo super excêntrico, mas a idade de KyungSoo para ter uma casa daquelas com o suor de seu trabalho. Até onde o prostituto sabia, seu cliente não era de família rica, e um dos motivos de contratar tanto seus serviços era devido a grande solidão que tinha por não ter amigos. Logo a casa ser emprestada ou alugada estava fora de cogitação.

– Segundo Ted Schmidt, a casa é o maior investimento que devemos fazer na vida, pois todos precisamos ter para onde voltar. – Carinhoso, guia seu polegar para o queixo do mais alto tentando fixar os olhos do outro nos seus.

– Você é tão inteligente, KyungSoo. – Sente a mão quente do mais velho acariciar o seu rosto enquanto apoia sua mão sensualmente por cima da dele.

– E você é lindo. – Diz contemplando o corpo do mais novo com admiração.

– Sou? – Puxa o mais velho para beijos eróticos. – Gostou da mercadoria? – Se vira de costas fazendo uma dança sensual com os quadris, roçando-se em Kyungsoo.

Soo o vira e começa a beija-lo bem delicado, com carinho.

– Não se chame de mercadoria. – Beija a mão do mais novo. – Você não é um objeto.

Kai sorri.

– Segundo “eu mesmo”, mercadoria é tudo que se venda.

D.O contribui o sorriso.

– Então, todos somos mercadorias…

Calaram-se com um beijo.

Autoria: Aiko